A entrevista de 2006: cooperação absoluta

Há quatro anos, Cavaco não teve reservas em elogiar o Governo de Sócrates. Foi o nascimento da 'cooperação estratégica'.

"Cooperação" foi uma das palavras mais utilizadas por Cavaco Silva, na primeira entrevista do Presidente, à SIC, em Novembro de 2006. O alvo da cooperação era José Sócrates, primeiro-ministro.

O Presidente da República dominou a entrevista sublinhando o "clima de confiança" que dizia "partilhar" com o primeiro- -ministro, numa relação de "cooperação leal" entre Belém e São Bento. Cavaco insistiu em salientar o "espírito reformista" do Executivo socialista, e garantia até que o "País vai na direcção certa".

Oito meses depois de tomar posse (Março de 2006), o Chefe do Estado assegurou que não houvera qualquer "dessintonia" com Sócrates e qualificava como "profícuas" as reuniões que semanalmente mantinha com o primeiro- -ministro. O sucesso destas reuniões era garantido, segundo o Presidente, pela "cooperação silenciosa" com o Governo, longe do "ruído" dos media.

A Lei das Finanças Regionais foi um dos temas fortes das reuniões em Belém, sobre as quais Cavaco, à margem das posições do PSD e de João Jardim, admitiu que Sócrates tinha "atendido algumas sugestões" da sua Casa Civil, cunhando a marca presidencial na lei do Governo.

Quanto ao estado da economia nacional, o Presidente concluiu que havia "sinais positivos" e que "se as reformas fossem concretizadas", as tais propostas por Sócrates, Portugal iria "no bom sentido".

A síntese do espírito que Cavaco afirmava ter com Sócrates resulta na famosa "cooperação estratégica", mais um emprego da expressão pelo Presidente. Sobre o futuro, Cavaco manteve o tom e declarou que "nunca [lhe] passará pela cabeça passar uma rasteira ao Governo", reforçando a ideia ao admitir que não é "contrapoder". Cavaco remata o assunto frisando que "nunca usará o poder de veto como arma de arremesso político contra o Governo".

As relações entre Belém e São Bento manteriam a harmonia até Julho de 2008 quando Cavaco faz um comunicado para justificar o veto presidencial do estatuto Político-Administrativo dos Açores. A "cooperação" deixava de ser "leal" para ser "institucional".

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