A corrida contra o relógio do anfitrião

O primeiro-ministro não parou um segundo. Chegou atrasado ao encontro com Ki-moon e conduziu um carro eléctrico

Na Cimeira que traçou o destino da NATO nos próximos dez anos, José Sócrates foi um anfitrião a correr contra os ponteiros do relógio com a azáfama de quem não consegue chegar a horas a tantas obrigações. Ontem, não foram só as cimeiras dentro da cimeira, os apertos de mão e beijos no rosto, os agradecimentos dos líderes estrangeiros - que, consta, foram quase tantos quantos os que vieram a Lisboa - e as conversas de corredor que o ocuparam.

Nos intervalos, ditou o protocolo, o primeiro-ministro apressou--se a dar as boas-vindas ao Presidente russo, sentou-se "à conversa" com a primeira-ministra da Austrália e, ao volante de um carro eléctrico, conduzido por ele, fez uma corrida entre FIL e Pavilhão de Portugal para abrir a cimeira UE-EUA, que juntou Durão Barroso e Barack Obama.

Ao final da tarde - o dia começara às oito e meia - e Sócrates já devia uns largos minutos à sua agenda. De tal forma que nem pôde evitar deixar Ban Ki-moon, o secretário-geral das Nações Unidas, à espera durante uma meia hora.

Uma falta que o coreano perdoou com diplomacia. Afinal - como dizia poucos minutos antes Sócrates aos jornalistas - a NATO acabara de entrar numa "nova era", em que a aliança tem a Rússia por aliada e deu a si mesma um prazo para sair do Afeganistão.

"Quando um dia se fizer a história desta Cimeira, vai perceber-se que é um marco: na história da NATO e para a segurança global," disse o primeiro-ministro português, como antes haviam dito Obama e Anders Rasmussen, o secretário-geral da NATO.

No tom de um homem que "cumpriu a missão", Sócrates frisou que de Lisboa sai um novo conceito estratégico da aliança, o "conceito de Lisboa". De olhos no futuro, manifestou total confiança que Portugal vai manter um comando em Oeiras após a reforma na NATO (ver esta página).

Quando as perguntas se viraram para a crise, fugiu às respostas que podiam estragar o dia. Mas não hesitou a responder, em tom de desafio, que espera ir à próxima Cimeira da NATO, em 2012, nos EUA. "Que eu saiba a legislatura só termina em 2013."

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