500 camiões param trânsito entre Viseu e Vilar Formoso

Uma caravana de cerca de 500 veículos (sobretudo camiões) obrigaram, através da sua marcha lenta de protesto, ao bloqueio do trânsito na A25 entre Viseu e Vilar Formoso. A luta, que teve início pelas 18.00, em Viseu, é contra a introdução de portagens pagas nas autoestradas A23, A24 e A25.

Os veículos, que partiram da Avenida Europa (Viseu), chegaram a circular já na A25 a uma velocidade de 7 a 8 quilómetros/hora no sentido de Vilar Formoso, em direcção a Mangualde. Os camiões pertencem sobretudo a empresas transportadoras - a Patinter, a Imãos Almeida Cabral e a JLS.

Mas a estes juntaram-se muitos outros das empresas das redondezas. Carros particulares, tractores e vários reboques ligaram-ase também ao protesto e o trânsito está, neste momento, totalmente parado, tal como o DN constacta no local.

A comissão de luta contra as portagens nas autoestradas A23, A24 e A25 vê assim cumprida a promessa de realizar hoje, a partir de Viseu e da Régua, mais um buzinão e marcha lenta em protesto contra a introdução dos pagamentos.

As três vias constituem actualmente autoestradas sem custos para o utilizador (SCUT), para os quais o Governo, através do ministro da Economia, já anunciou a introdução de portagens durante o mês de Outubro.

Segundo Francisco Almeida, que integra a comissão de luta contra as portagens na A23 (Guarda - Torres Novas), A24 (Chaves - Viseu) e A25 (Aveiro - Vila Formoso), o objectivo deste novo protesto é "convencer o Governo de que é um erro tremendo porque atinge populações que já lutam contra a interioridade mas também porque é um golpe na economia destas regiões e do país".

Como exemplo, Francisco Almeida assegurou que "já há empresas na área dos transportes de mercadorias que estudam um cenário de mudança da actividade para Espanha", inclusive com "prospecção no terreno de estruturas que permitam essa deslocalização".

A marcha lenta prevista para as 18:00 de hoje, a partir da Av. da Europa, em Viseu, com destino à A25, em direcção a Vilar Formoso, vai ter, segundo a organização, uma "larga participação não só de particulares mas também das várias empresas, nomeadamente das transportadoras, o que permite afirmar ser a de maior dimensão até hoje realizada".

A comissão pretende "conseguir hoje uma grande afirmação de luta contra a barbaridade que é a introdução de portagens nestas vias rodoviárias", sinalizou Francisco Almeida.

Em Vila Real, cidade servida pela A24, a mesma comissão tem em curso idêntico cenário de protesto. Neste caso, a marcha lenta partirá da Régua, na Avenida Diocese de Vila Real (variante da Régua).

Os utentes das SCUT organizam ainda uma vigília na Covilhã à mesma hora, na rotunda à entrada da cidade.

Nas últimas semanas a comissão de luta contra as portagens nas três actuais SCUT realizou diversas iniciativas, nomeadamente a recolha de assinaturas para serem enviadas ao primeiro ministro e ainda uma viagem entre Viseu e Aveiro pela Estrada Nacional (EN) 16, com um camião pesado e um autocarro, para demonstrar que este itinerário "não pode ser visto como uma alternativa viável".

Esta viagem entre Viseu e Aveiro foi realizada em três horas e meia, quando pela autoestrada o mesmo percurso pode ser feito em menos de uma hora, devido às centenas de curvas apertadas existentes e pontes estreitas. Além disso, a EN16 é hoje uma via que é, nas localidades que atravessa, a sua principal rua, como é exemplo São Pedro do Sul.

A ausência de vias alternativas às autoestradas onde vão ser introduzidas portagens em breve é um dos mais sublinhados argumentos por parte da comissão de luta, ao qual se junta a questão do impacto nas dezenas de empresas que vão ser afectadas. A comissão prevê mesmo o encerramento de muitas delas e o consequente aumento do desemprego.

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