30 toneladas de sal dão cor à Romaria d'Agonia

A Romaria d'Agonia é vivida de forma especial na ribeira de Viana do Castelo onde cerca de cem pessoas preparam a confeção de tapetes que utilizam 30 toneladas de sal, tingido de várias cores.

Estes tapetes de sal, que começarão a ser confecionados pela população ao início da noite de segunda-feira, em cinco ruas e uma alameda da ribeira, só estarão concluídos na manhã do dia seguinte, revelando, após a última maratona de várias horas, verdadeiras obras de arte popular.

É que ao início da tarde de terça-feira, estes tapetes, construídos com 30 toneladas de sal - adquirido por cerca de 2.500 euros pela Junta de Freguesia de Monserrate e tingido de várias cores -, além de milhares de flores e centenas de utensílios de pesca, serão percorridos pelo andor da Senhora d'Agonia, no seu regresso da tradicional procissão ao mar e ao rio, praticamente encerrando a romaria de 2013.

Antes, durante toda a madrugada, os moradores das ruas dos Poveiros, Góis Pinto, Monsenhor Daniel Machado, Frei Bartolomeu dos Mártires e Largo Infante D. Henriques tentam caprichar nos respetivos motivos, numa espécie de competição para tentar apresentar o melhor tapete, cujas escolhas ficam em segredo praticamente até ao início da confeção propriamente dita.

"O tema deste ano já se sabe que é o mar e todos têm de andar à volta disso. Mas cada rua tenta apresentar o melhor tapete, numa competição saudável entre todos", explicou à Lusa o autarca de Monserrate, Vítor Silva.

Além das ruas, há cerca de cinco anos que também a alameda de acesso à igreja da Senhora d'Agonia, o templo principal da romaria, recebe igualmente um tapete de sal, confecionado pela população.

Apesar de a preparação estar em curso há meses, é nesta reta final que se concentram todas as atenções, já que durante a madrugada de 19 para 20 de agosto essa confeção é sempre acompanhada de perto por milhares de pessoas, naquela que é conhecida localmente como a "noite dos tapetes".

"Por cada rua podemos ter sempre mais de 30 pessoas a trabalhar, de todas as idades, mas milhares passam por lá para ver. A partir das 19:00 [de segunda-feira] já vamos ter de encerrar as ruas para começar a colocar os moldes e montar os tapetes, na grande noite da ribeira", sublinha Vítor Silva.

Também como é da tradição, toda esta azáfama, que envolve atuais e ex-moradores da ribeira, varinas e familiares dos pescadores, é igualmente acompanhada noite fora por tunas de estudantes, concertinas, música e bares abertos em todas as ruas da ribeira de Viana do Castelo.

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