2.982 chamadas para a linha SOS, 76 denúncias de abuso

A linha SOS-Criança recebeu 2.982 chamadas em 2010. Mais de metade dos casos eram crianças até aos cinco anos, sendo a negligência e os maus tratos familiares as maiores problemáticas num ano em que chegaram 76 denúncias de abusos sexuais.

Em média, os telefones das Linhas SOS-Criança tocaram 249 vezes por mês, 12 vezes por dia, e quase sempre eram adultos a pedir ajuda ou aconselhamento. "Só nove por cento dos utentes são crianças", refere o relatório agora divulgado, sublinhando que foram as mulheres (sete em cada dez) quem mais recorreu a este serviço. Mais de metade das situações referia-se a meninos até aos cinco anos. Depois, houve ainda 22 por cento dos casos relativos a menores dos seis aos dez anos, "21 por cento dos 11 aos 15 anos e cinco por cento dos 16 aos 18 anos".

Menores em perigo foram as situações que levaram a mais pedidos de ajuda (491 denúncias), logo seguidos dos casos de negligência e maus tratos físicos na família (301 chamadas). Quem estava do outro lado do telefone ouviu ainda os relatos de 162 histórias de menores vítimas de maus tratos psicológicos na família e 76 casos de alegados abusos sexuais. Mas, como o SOS-Criança não se resume a situações criminais, recebeu outros 245 telefonemas de pessoas que queriam "falar com alguém".

Metade dos casos relatados referiam-se a menores que vivem em famílias tradicionais ou monoparentais. A outra metade dividiu-se entre crianças a viver em famílias reconstruidas (15 por cento) e famílias alargadas (dez por cento). Em 26 por cento dos telefonemas não foi possível saber a situação familiar.

Em 43 por cento dos casos o apelante tinha uma relação familiar com a criança e em 37 por cento foi a comunidade que fez o contacto com a linha. Houve ainda 76 crianças a tomar a iniciativa de fazer o contacto com este serviço, que funciona em Portugal desde 1989 e já atendeu mais de 71 mil pessoas. Sobre os alegados "agressores", o relatório referenciou 1996 infractores, mas apenas foram identificados 1.537. Houve ainda 501 apelos sem infractor.

A maioria das denúncias eram oriundas da zona de Lisboa (833), contra o distrito de Viseu, apenas com nove apelos registados no ano passado. A maioria das pessoas que liga para a linha procura orientação por parte dos serviços, que tem posteriormente de articular com todas as redes de parceria e encaminhar as situações.

Nos últimos 20 anos, a linha SOS-Criança recebeu em média 3.424 apelos anuais, número que baixou em 2010 para as 2.982 chamadas. De acordo com o relatório, a redução de contactos não significa uma diminuição de casos, uma vez que em alguns contactos telefónicos a denúncia dizia respeito a mais do que uma criança.

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