Ferro destaca nova centralidade do parlamento e elogia Presidente da República

De acordo com o presidente da Assembleia da República, Portugal vive hoje "um novo tempo político"

O presidente da Assembleia da República defendeu hoje que o parlamento ganhou "nova centralidade" e elogiou o contributo do chefe de Estado para o reforço da confiança nas instituições democráticas, num discurso contra a banalização da extrema-direita.

Ferro Rodrigues falava na sessão solene comemorativa do 43º aniversário do 25 de Abril de 1974 - intervenção em que prestou homenagem às ao Movimento das Forças Armadas e em que evocou as figuras do capitão Salgueiro Maia e do antigo Presidente da República e fundador do PS, Mário Soares.

De acordo com o presidente da Assembleia da República, Portugal vive hoje "um novo tempo político", no qual o parlamento "ganhou uma nova centralidade".

"Não há deputados dispensáveis ou partidos excluídos das soluções de governo. Todos contam para servir Portugal, seja na oposição ou no apoio ao Governo", sustentou o antigo líder socialista.

Ferro Rodrigues disse mesmo estar convicto que a nova conjuntura política portuguesa "tem ajudado a essa revalorização do parlamento enquanto instância de negociação democrática e de representação dos interesses dos portugueses".

"Estou certo de que o senhor Presidente da República tem tido também aqui um papel decisivo nesta recuperação da confiança nas instituições da democracia, através da sua magistratura de proximidade; leal, lúcida e afetuosa. E sobretudo, através do seu permanente respeito pela Constituição", declarou, aqui num rasgado elogio à atuação de Marcelo Rebelo de Sousa, que mereceu palmas sobretudo da bancada do PS.

Neste ponto, o presidente da Assembleia da República deixou também um apelo a todos os deputados, tendo em vista sobretudo, a preservação da saúde do regime democrático.

"Saibamos todos, eu e todos nós, dar o exemplo e estar à altura do mandato dos portugueses. Saibamos todos, eu e todos nós, distinguir aquilo que são as legítimas e desejáveis clivagens democráticas, do que são as responsabilidades que temos perante as regras e o funcionamento das instituições da democracia", advertiu, antes de condenar a banalização que algumas correntes de opinião fazem da propagação das ideias de extrema-direita.

"Veja-se, por exemplo a ameaça da extrema-direita, que continua visível em França. Não basta, a este respeito, falar em populismo, porque é um conceito que normaliza o que não é normal em democracia: As derivas autoritárias, os ataques à liberdade de imprensa, o racismo, o fechamento económico e social, o medo da diferença e do pluralismo", apontou.

Mas o presidente da Assembleia da República foi ainda mais longe nas suas advertências: "Isto não é nenhum novo populismo, isto é a velha extrema-direita autoritária, nacionalista e xenófoba", considerou, recebendo de novo palmas.

Neste ponto, Ferro Rodrigues advogou mesmo que se está perante "o maior desafio à estabilidade da Europa desde o fim da guerra fria", já que "dos Estados Unidos da América continuam a chegar-nos sinais preocupantes e contraditórios".

Em relação à presença de Portugal no espaço europeu, Ferro Rodrigues apelou à reforma das políticas europeias e deixou também aqui um aviso:

"Respeitamos os tratados internacionais e os nossos compromissos. Não damos mas também não recebemos lições de ninguém. Somos um dos raros países europeus sem ameaças de extrema-direita", frisou.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG