123 mil pessoas nas ruas e mais protestos para breve

Alguns movimentos que participaram no protesto de 'indignados' durante o fim-de-semana fizeram hoje um balanço positivo da adesão à concentração, considerando que "demonstra bem o nível de insatisfação com as medidas de austeridade apresentadas pelo Governo".

Em declarações à agência Lusa, Paula Gil, do Movimento 12 de Março, disse que o protesto foi "histórico", adiantando que em Lisboa saíram às ruas 100.000 pessoas, no Porto 20.000 e em Faro três mil.

"Isto só mostra que há um grande descontentamento em relação às medidas anunciadas pelo Governo", disse Paula Gil, acrescentando que vão surgir em breve mais protestos, manifestações e possivelmente uma greve geral.

Também Almerinda Bento, da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), considerou, em declarações à Lusa, que a adesão ao protesto foi "significativa do ponto de vista quantitativo".

"Foi uma boa resposta por parte da população, das várias gerações. Foi uma boa resposta que decorreu de forma ordeira, pacífica, em que foi dado um sinal ao poder, ao Governo, de que as pessoas não vão começar a aceitar de forma passiva esta brutalidade de medidas", disse.

Almerinda Bento disse ainda que "o protesto vai continuar" estando já marcadas outras formas de protesto em que a UMAR vai participar.

Vítor Lima, da PAGAN - Plataforma Anti-Guerra Anti-Nato concorda que a adesão ao protesto "correu muito bem" mas referiu à Lusa que esperava mais debate e apresentação e resolução de problemas.

"Nós não temos em Portugal uma tradição de protesto autónomo, de pessoas independentes de partidos. Não foi uma manifestação partidária e, deste ponto de vista, de participação no desfile o protesto correu muito bem", disse.

Contudo, para Vítor Lima, as pessoas não devem só participar nos protestos, devem debater os problemas e arranjar soluções.

"Nessa fase da discussão, as pessoas que mais intervêm são as mais políticas, com maior tradição activista. Acaba por ser insuficiente. O que se pretende é que pessoas novas, sem experiência politica participem nas coisas, deem opiniões e soluções. Devia existir uma maior participação das pessoas nesse sentido", frisou.

Vários milhares de pessoas saíram às ruas durante o fim de semana para um protesto mundial de 'indignados' e na Assembleia Popular realizada em São Bento.

Uma nova concentração em frente ao Parlamento, uma "flash mob" (ajuntamento breve de pessoas com o objectivo de protestar ou marcar posição) e a participação no próximo protesto mundial de "indignados" são algumas das ações aprovadas no domingo à noite na Assembleia Popular realizada em São Bento.

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