Governo dá distribuição do Magalhães como "praticamente concluída"

Um ano depois do anúncio da distribuição pelo primeiro ciclo de um computador "à prova" de crianças, o Governo dá o processo como "praticamente concluído": entregou mais de 370 mil portáteis e só 50 mil alunos não quiseram um Magalhães.

O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou a 30 de Julho do ano passado a distribuição de 500 mil computadores portáteis fabricados em Portugal aos alunos do primeiro ciclo, até ao final do ano lectivo 2008/2009. Segundo os dados mais actualizados do ME, foram entretanto entregues 373 mil computadores a alunos das escolas do continente, públicas e privadas. Em meados do mês passado, o programa contava com 404,6 mil alunos do ensino básico inscritos, 31 600 dos quais não receberam o equipamento, segundo o Ministério da Educação, por incorrecção de dados ou falta de pagamento. De fora ficaram ainda cerca de 50 mil alunos, que não quiseram Magalhães. Os responsaveis afirmam que estes são "sobretudo alunos do 4.o ano de escolaridade, que optaram por aguardar inscrever-se no programa e-escola no próximo ano lectivo, quando frequentarem o segundo ciclo do ensino básico". Estes computadores, distribuídos no âmbito do programa 'e.escolhinha' e com ligação facultativa à Internet, têm um custo máximo de 50 euros e são gratuitos para os alunos inscritos no primeiro escalão da acção social escolar. "Queremos que o computador faça parte do material escolar de todas as escolas", afirmou então José Sócrates, apresentando o Magalhães como "um computador de última geração tecnológica, pensado para as crianças, para resistir melhor ao choque e aos líquidos". Os primeiros computadores chegaram às crianças a 23 de Setembro, numa mega-operação em 16 concelhos do país com a presença do primeiro-ministro e 11 elementos do Governo. Neste ano, o governo foi criticado pelo mediatismo à volta deste computador e atrasos na sua distribuição. O próprio primeiro-ministro foi alvo de críticas por ter promovido o Magalhães na Cimeira Ibero-Americana. Foram ainda detectados erros graves de português no software associado e houve críticas de professores, que dizem não ter recebido formação, que há factores "a empatar" o uso generalizado do computador nas salas de aulas e que os alunos usam o Magalhães mais como ferramenta lúdica do que de trabalho. Ficam também elogios internacionais às potencialidades que este aparelho tem para a evolução tecnológica do país e o entusiasmo de especialistas, que consideram esta medida como um passo em frente no conhecimento tecnológico em Portugal, porque as crianças podem arrastar as respectivas famílias para o uso das novas tecnologias. A ministra da Educação considerou que, apesar dos "muitos percalços", a distribuição de computadores com ligação à Internet é "o instrumento principal da democratização do ensino", ao permitir "igualdade de oportunidades" no acesso à informação e ao conhecimento. "Fazer da escola o centro da utilização do Magalhães. É isso que de facto permite que as crianças não fiquem entregues às condições de origem que já têm. Essa é a mais valia deste projecto", afirmou a Maria de Lurdes Rodrigues.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG