Zorrinho nega divisões no PS

O líder parlamentar do PS negou divisões na sua bancada face à proposta do Governo de reorganização administrativa autárquica e manifestou-se disponível para iniciar imediatamente o diálogo com PSD e CDS sobre a reforma do Poder Local.

Carlos Zorrinho falava aos jornalistas na Assembleia da República, depois de o deputado Miguel Coelho não ter seguido o voto contra do PS em relação à proposta do Governo de reorganização administrativa e de 22 deputados socialistas terem anunciado a apresentação de declarações de voto sobre esta mesma matéria.

O líder parlamentar do PS negou divisões na sua bancada face à proposta do Governo de reorganização administrativa autárquica e manifestou-se disponível para iniciar imediatamente o diálogo com PSD e CDS sobre a reforma do Poder Local.O presidente do Grupo Parlamentar do PS procurou desvalorizar os episódios registados na sua bancada no momento da votação da proposta do Governo, que foi aprovada com os votos do PSD e do CDS.

"Nesta votação apenas um deputado do PS [Miguel Coelho] se absteve e houve algumas declarações de voto, as quais só quem as faz pode justificá-las. Este é um tipo de matéria com grande impacto regional e, normalmente, nestas ocasiões, os deputados justificam qual o enquadramento regional do seu voto", alegou o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Para Carlos Zorrinho, "de forma alguma há divisão no PS".

"O PS tem liberdade de voto e alguns deputados quiseram justificar como o seu voto se integra na lógica dos territórios pelos quais foram eleitos", argumentou ainda o líder da bancada socialista.

Confrontado com o facto de alguns deputados socialistas terem criticado na quinta-feira, durante a reunião da bancada, a estratégia de voto contra a proposta do Governo, sem a apresentação de qualquer alternativa, Carlos Zorrinho contrapôs que o PS "é um partido que debate e que decide".

"O PS tomou a melhor decisão e aplicámos essa decisão", disse, antes de recusar que o voto contra dos socialistas à proposta do Governo de reorganização administrativa acabe por inviabilizar a prazo a revisão da lei eleitoral autárquica, matéria que necessita de dois terços dos votos para ser aprovada no Parlamento.

"Não há qualquer razão para que isso aconteça. Se PSD e CDS quiserem começar esta tarde a discutir uma reforma administrativa territorial séria - que inclua as divisões das freguesias, a lei de financiamento local e a lei eleitoral -, o PS está disponível", frisou.

Depois, o presidente do Grupo Parlamentar criticou a filosofia da proposta do Governo de reorganização administrativa autárquica.

"Lamento que a coligação PSD/CDS tenha usado a sua maioria absoluta para aprovar uma legislação que retalha o país sem ter em conta as especificidades e sem ter em conta o sentimento das populações. O Governo está aplicar de uma forma cega, sem qualquer diálogo na sociedade portuguesa, uma legislação numa área em que era muito importante que pudesse haver uma reforma séria, profunda e partilhada por todos os cidadãos", disse.

Confrontado com o facto de o PS ter hoje votado, pela primeira vez, contra uma medida prevista no acordo com a 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional), Carlos Zorrinho disse que os socialistas "são completamente solidários com os objetivos do memorando".

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