Zorrinho espera que Cavaco continue a apelar à "sensibilidade do Governo"

O líder da bancada parlamentar socialista considerou hoje que as declarações do Presidente da República "são muito difíceis de entender" e que, mais que o esclarecimento "relativamente hermético", espera que Cavaco Silva continue a apelar à "sensibilidade do Governo".

"As declarações do senhor Presidente da República são declarações muito difíceis de entender pelos portugueses, denotaram uma grande falta de sensibilidade, sobretudo, agravada pelo Governo ter uma enorme falta de sensibilidade em relação às condições de vida", afirmou Carlos Zorrinho à Lusa.

O Presidente da República esclareceu na segunda-feira à Lusa que, com as declarações que proferiu sobre as suas pensões, apenas quis ilustrar que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades, não tendo sido seu propósito eximir-se dos sacrifícios.

"O senhor Presidente da República tem sido um dos protagonistas institucionais que tem alertado o Governo para a importância da aposta no crescimento, no emprego, no desenvolvimento das competências, das qualificações", afirmou Carlos Zorrinho.

"Hoje mesmo a COTEC, que é presidida pelo senhor Presidente da República, lançou um alerta, dizendo que Portugal estava a perder a guerra da inovação, uma batalha fundamental que nos anos anteriores estava a vencer, porque Portugal subiu muito em todos os indicadores de inovação", sublinhou.

O líder da bancada do PS afirmou esperar que Cavaco Silva "continue na sua magistratura de influência a apelar à sensibilidade do Governo, para que fique claro que esta sua insensibilidade foi apenas um momento de incoerência".

Quanto ao esclarecimento do Presidente, considerou-o "relativamente hermético", argumentando que mais importante que esse esclarecimento "será sobretudo o comportamento" do Chefe de Estado.

Reconhecendo que, face à questão que lhe tem "sido colocada insistentemente" sobre as pensões que aufere, não terá sido "suficientemente claro quanto à intenção do que queria transmitir", Cavaco Silva esclarece que as sua intenção foi ilustrar, com o seu próprio exemplo, que acompanha a situação dos portugueses que atravessam dificuldades.

"Apenas quis ilustrar, com o meu exemplo, que acompanho as situações que chegam ao meu conhecimento de cidadãos que atravessam dificuldades e para as quais tenho chamado a atenção em diversas intervenções públicas", refere Cavaco Silva.

"Não foi obviamente meu propósito eximir-me aos sacrifícios que os portugueses estão a fazer nos dias de hoje, tendo mesmo insistido que o meu caso pessoal não estava em questão", referiu o chefe de Estado numa declaração escrita à Lusa, em resposta às questões colocadas sobre as declarações que proferiu na sexta-feira acerca das suas pensões.

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