Vistos Gold. "Não é por haver uma fraude numa avaliação que se acaba com os exames", diz Portas

"As casas não caem do céu, alguém tem de as construir", disse o vice-primeiro-ministro.

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, afirmou hoje que a sua função é "atrair" investimento estrangeiro para Portugal e não contribuir para a criação de riqueza de países estrangeiros com regimes semelhantes aos vistos gold português.

Paulo Portas falava no debate sobre as propostas de alteração do Governo sobre regime de Autorizações de Residência para a atividade de Investimento (ARI), também conhecidos por vistos gold, em que o Bloco Esquerda (BE) propõe o fim do programa.

Durante a sua intervenção a deputada do BE, Cecília Honório, apontou o processo de corrupção ligado ao regime dos vistos gold. Em resposta à deputada, Paulo Portas afirmou: "Queria lembrar-lhe o que, a meu ver bem, disse o secretário-geral do Partido Socialista num programa de televisão antes destes acontecimentos se darem: não é por haver um caso de corrupção na direção-geral de Viação que se acaba com as cartas de condução".

"Eu acrescentaria que não é por haver uma fraude numa avaliação que se acaba com os exames", acrescentou o governante, reiterando que em "caso de problema de legalidade" que a "lei e a justiça caiam em cima do problema e que se tirem as respetivas consequências".

Paulo Portas voltou a recordar que existem 14 países na Europa com um regime de vistos 'dourados' semelhantes ao português. "O que eu não faria era entregar aos 14 países que concorrem com Portugal com sistemas parecidos com os vistos gold a criação de riqueza que pode ser feita e deve ser feita em Portugal", disse.

"A minha função não é contribuir para a criação de riqueza de países estrangeiros é para atrair, nomeadamente, investimento estrangeiro para Portugal", sublinhou Paulo Portas. O vice-primeiro-ministro destacou a dinamização que o setor do imobiliário teve na sequência do regime dos vistos 'gold' e defendeu que o Bloco de Esquerda deveria "afastar o preconceito" em relação a esta área.

"As casas não caem do céu, alguém tem de as construir", disse. "O imobiliário estava parado, ganhou dinamismo, entre outros fatores, com o visto 'gold', e deixaram-se impostos nas autarquias e no Estado português", disse.

Paulo Portas citou um estudo recente da Associação Portuguesa de Resorts, segundo o qual os vistos 'gold' foram responsáveis pela criação de 20.000 postos de trabalho no turismo residencial em 2014.

As novas alterações abrem o leque da aplicação de investimento à ciência e cultura ou reabilitação urbana, que até agora estava concentrada na compra de imobiliário e transferência de capitais, por exemplo, a reforçam as medidas de fiscalização.

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