Vice-presidente do CDS critica medidas de austeridade

O vice-presidente do CDS-PP Artur Lima criticou hoje o Governo por apresentar medidas de austeridade "altamente penalizadoras para as famílias", naquela que foi a primeira posição oficial de um dirigente nacional do partido sobre esta matéria.

"O CDS-PP nos Açores não está com o Governo da República, está contra estas medidas e, obviamente, que está contra o partido a nível nacional e digo isto com a responsabilidade que tenho de até ser vice-presidente do partido a nível nacional", afirmou Artur Lima, que é líder do partido nos Açores, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo.

Artur Lima considerou que as medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro e pelo ministro das Finanças "vão penalizar fortemente o consumo e, consequentemente, aumentar a recessão", pedindo, por isso, explicações ao executivo de Pedro Passos Coelho.

"Não admito que já seja só Sócrates a servir de desculpa. Ao fim de um ano ainda não sabem quantos institutos é preciso extinguir, quantas fundações é preciso extinguir, quanto é preciso cortar nos gastos intermédios do Estado? Então o que é que andaram lá fazer?", questionou.

Artur Lima frisou que houve alguma "precipitação" por parte do Governo, "talvez por a "troika" estar cá", salientando que as medidas apresentadas não foram bem explicadas aos portugueses.

O vice-presidente do CDS-PP defendeu que é preciso tomar opções diferente, como cortar na atribuição de dinheiro a câmaras falidas, à RTP, a fundações e a institutos públicos.

"Ou há aqui um Governo que tem a coragem de cortar, mas não é nas pessoas, é no Estado, e começar de cima para baixo, ou então este país nunca mais tem solução, nem com "troika", nem sem "troika"", frisou.

Artur Lima garantiu ainda confiar "totalmente no bom senso" de Paulo Portas, presidente do CDS-PP, que elogiou pela serenidade e ponderação com que está a lidar com esta situação, mas lembrou que esteve contra a coligação do CDS com o PSD.

O vice-presidente do CDS-PP admitiu que existe um "clima de algum desagrado dentro da coligação", defendendo que todas as partes conversem "no recato e com a serenidade necessária", em vez de fazerem "politiquice", e que o PS seja envolvido nas conversações.

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