"Veneno contra a liberdade dos jovens chama-se dívida"

Portas encerrou comício que assinalou os 40 anos da Juventude Centrista com recados a António Costa, que desafiou a fazer um "exame de consciência" e a dizer que o PS não voltará "a cometer os mesmos erros".

Noite de reencontros entre militantes e ex-militantes da Juventude Centrista (JC), atualmente Juventude Popular (JP). 40 anos volvidos desde o boicote ao comício da JC no Teatro S. Luiz, em Lisboa, a JP reeditou-o esta terça-feira e coube a Paulo Portas encerrar o evento, no qual "desfilaram" muitas das principais figuras do partido e da "jota".

Após um atraso de quase uma hora no arranque da sessão, e de uma revisita aos 40 anos da história do partido e do país, o presidente do CDS serviu os ataques ao PS e a António Costa. Portas voltou a José Sócrates para falar do endividamento e, dirigindo-se ao líder da JP, Miguel Pires da Silva, e aos jovens presentes, atirou: "O pior governo para os jovens é o que deixa muita dívida. A dívida é um imposto escondido que pesará sobre as próximas gerações."

E o vice-primeiro-ministro prosseguiu: "Uma geração não tem o direito de condicionar a liberdade das seguintes, endividando-se, para ganhar eleições. Espero que a JP seja capaz de explicar que o veneno contra a liberdade dos jovens se chama dívida pública." Pelo meio, ainda sugeriu a institucionalização de um limite para o défice como forma "de preservar as gerações futuras", algo que o CDS, noutras ocasiões, já defendera, nomedamente, através da regra de ouro, isto é, da inscrição de um teto constitucional para desequilíbrio das contass públicas.

A toada de recados ao candidato a primeiro-ministro dos socialistas não ficou por aí - disse inclusivamente que não recomenda "nem aos seus piores adversários governar em protetorado" -, com Portas a lançar implicitamente um desafio: "Os responsáveis pelo passado recente ainda não tiveram a lucidez de fazer um exame de consciência e de dizer ao país 'Enganámo-nos, não voltaremos a cometer os mesmos erros'."

Por outro lado, mas ainda com os olhos postos nas legislativas do próximo ano, o líder dos democratas-cristãos assinalou que o CDS tem sido sempre "chamado a exercer responsabilidades com a casa a arder" e "a bancarrota a distância de semanas", antevendo que o partido ainda será "chamado a governar em tempos mais normais, em tempos de crescimento, como agora está a acontecer".

Perante ministros do CDS (Pires de Lima e Mota Soares, por exemplo), dirigentes nacionais e ex-líderes da JC/JP, Portas lembrou a resistência daqueles que estiveram no S. Luiz há 40 anos, em contraponto, frisou, com "a visão sectária de liberdade" de alguns, numa crítica aos elementos de esquerda que também assaltaram e vandalizaram a sede centrista no Largo do Caldas.

Antes do presidente, usou da palavra António Lobo Xavier, ex-líder da bancada parlamentar, que esteve ao lado de Adelino Amaro da Costa na noite de 4 de novembro de 1974 - junto do ex-ministro protagonizou a célebre fuga por telhados. E, mesmo apelando a Portas e a Miguel Pires da Silva que "continuem a ser dignos do CDS que nasceu há 40 anos", considerou normal a evolução e as mudanças no partido.

O comentador elencou mesmo uma série de transformações no PSD ("que já não usa a efígie de Karl Marx nos cartazes"), no PS ("que meteu o socialismo na gaveta") e no PCP ("que já não quer a democracia popular") e questionou para gáudio da plateia: "E queriam que nós continuássemos iguais?"

A rematar, Lobo Xavier deixou a ideia de que os centristas já estiveram "muito mais longe da sua matriz fundacional" e salientou que hoje não são "perseguidos pelos grandes campeões da liberdade" e ainda que foram determinantes na "resistência contra utopias de felicidade" e contra o "isolamento e a albanização" de Portugal.

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