"Vejo elevado nível de desemprego e trabalhos precários"

Martin Schulz, atual presidente do Parlamento Europeu, é candidato dos Socialistas e Democratas à presidência da Comissão Europeia.

Como avalia a decisão de saída limpa?

É um progresso. Possível porque os cidadãos pagaram um preço alto. Penso que Governo e instituições europeias devem ver se o programa trouxe mais emprego, igualdade e oportunidades, em especial para os jovens.

A saída limpa tem riscos?

É difícil prever. Pela primeira vez, Portugal pode regressar aos mercados. E os bancos compram dívida portuguesa com juros adequados, o que é bom. Mas o que vejo é um elevado nível de desemprego. Imensos trabalhos precários. A saída limpa é uma coisa, mas crescimento, investimento, criação de emprego e coerência social é o outro lado da moeda.

Porque é que não se deve elogiar e felicitar os países que concluíram os seus programas?

Os cidadãos devem ser elogiados, já para não mencionar o preço que pagam pelas mudanças: cortes orçamentais, nos salários, nos serviços públicos, o sofrimento e a dor que têm de aceitar. Se se agradecer aos cidadãos que fizeram os sacrifícios, concordo, mas dizer para se elogiar o País é pouco substancial.

O que prevê para o futuro dos portugueses?

Portugal tem inúmeras oportunidades. Estive em Lisboa com António Costa e vi muitas competências, em especial no que pensa sobre a agenda digital e a economia digital. Há também inúmeras possibilidades de investimento da Siemens ou da Volkswagen, por exemplo. O turismo tem enorme potencial. Na energia renovável, o País tem muito boas condições. Temos de resolver o problema de acesso ao crédito das PME. Temos de ver, na Comissão, como usar os fundos europeus e os do BEI para ajudar as PME, espinha dorsal da sociedade e da economia portuguesa.

LEIA MAIS PORMENORES NA EDIÇÃO E-PAPER DO DN:

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG