Vakil sem resposta às suas propostas de compra do Efisa

O ex-presidente do BPN Abdul Vakil afirmou hoje que ficou sem qualquer resposta a sua proposta formal de recompra do banco Efisa, por um valor máximo de 15 milhões de euros, feita em fevereiro de 2009.

Este foi um dos poucos dados novos apresentados por Abdul Vakil na comissão parlamentar de inquérito sobre a nacionalização e reprivatização do Banco Português de Negócios (BPN), audição que decorreu à porta fechada e que durou pouco mais de hora e meia.

Abdul Vakil foi presidente do BPN imediatamente antes da administração liderada por Miguel Cadilhe, entre fevereiro e o início de junho de 2008.

De acordo com fontes da comissão de inquérito parlamentar, Abdul Vakil apenas surpreendeu os deputados quando referiu que, na sequência de uma conversa com o presidente do BPN nacionalizado, Francisco Bandeira, este incentivou-o a apresentar uma proposta de compra do banco Efisa - proposta que formalizou em fevereiro de 2009, mas em relação à qual não obteve qualquer resposta.

Este episódio causou algum espanto entre vários deputados da comissão de inquérito, já que, nas duas vezes em que depôs no Parlamento, Francisco Bandeira nunca se referiu a este episódio.

Sobre uma possível compra do banco Efisa, sociedade que liderou desde 1994, Abdul Vakil disse também que fez uma proposta de recompra à administração de Miguel Cadilhe, em 2008, no valor de 20 milhões de euros, mas também não obteve qualquer resposta.

Ao longo da reunião, os deputados do PS Ana Catarina Mendes e Basílio Horta procuraram salientar a tese de Abdul Vakil de que no BPN, no período anterior à nacionalização, havia quadros neste banco que sonegavam informação ao Banco de Portugal e inclusivamente a ele próprio, que assumia a presidência da administração.

Por esta via, os deputados socialistas tentaram argumentar que, perante estas práticas irregulares e de natureza criminal, o papel do supervisor, neste caso o Banco de Portugal, instituição então liderada por Victor Constâncio, era muito difícil.

Pelo contrário, o deputado do PCP Honório Novo referiu uma auditora do Banco de Portugal ao banco Efisa, de agosto de 2008, a qual já detetou irregularidades semelhantes às descobertas antes no BPN.

Ou seja, ao contrário do que sustentara Abdul Vakil - de que o Efisa só por si nunca geraria imparidades e que a sua situação financeira não seria endemicamente negativa caso não tivesse ligação ao BPN -, Honório Novo advogou que a distância entre as práticas das duas instituições financeiras não era assim tão grande.

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