Umbilicalmente ligado a África

A complexidade e diversidade do pensamento intelectual, da história, das artes, da literatura, da ciência, da música, da religião fazem da Europa o continente mais bem preparado para enfrentar crises e reinvenções que delas germinam.

São diversas as razões que me fazem sentir europeu, ainda que umbilicalmente ligado a África. Encontro no papel histórico, desempenhado pelos europeus no último meio milénio, uma fórmula maior caracterizadora deste conjunto de povos, bem como do seu lugar no mundo, lugar bem mais valioso do que se supõe.

Uma opção é a de seguir os discursos das elites africanas pós-coloniais sobre os processos de dominação colonial europeia ou sobre os "ocidentais" de hoje; outra, é a de fazer o mesmo com a gente comum africana, a grande maioria.

Este exercício permitirá perceber inversões e confusões interpretativas entre o acessório e o essencial, demasiado sensíveis para os que partem do pressuposto de serem as pessoas comuns e a vida quotidiana, acima de tudo, que fazem a história e o mundo.

Apesar da escravatura, da colonização, das guerras ou do racismo, mas sobretudo pelo modo como os europeus têm assumido e racionalizado os seus complexos de culpa, foram deixando lastros de dignidade visíveis à medida que assentam as poeiras de encontros e desencontros com a história, arte em que os portugueses são mestres.

Personalidade que faz parte da conferência "Portugal europeu - e agora?", a organizar pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, dias 13 e 14 de setembro.

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