Um euro da UE mobiliza 5 euros de investimento privado

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, defendeu hoje que que um "euro da União Europeia ou do Estado português no desenvolvimento rural mobiliza 4 a 5 euros do setor privado a investir na agricultura".

Este será, segundo Paulo Portas, um dos argumentos que Portugal terá para defender "com firmeza" o investimento da UE na agricultura do país nos próximos sete anos e evitar o corte de mais de 25% (80 mil milhões de euros) que constam na proposta de orçamento comunitário para esta área.

"Portugal tem que ter essa firmeza e vai tê-la, sabendo contribuir para um acordo geral porque também, creio eu, não seria boa notícia que a União Europeia, pela segunda vez, não fosse capaz de chegar a um acordo", disse o governante no final de uma reunião com os parceiros sociais no âmbito da preparação do Conselho Europeu de quinta e sexta-feira.

O segundo argumento de Portugal será, de acordo com o ministro, as "altas taxas de execução de Portugal ao nível do PRODER", que dará "credibilidade e força" ao país na defesa de uma repartição mais justa dos fundos comunitários.

Segundo Paulo Portas, a proposta "tal qual vinha significava, no desenvolvimento rural, uma diminuição de cerca de um quarto", e isso, "evidentemente, não é aceitável nem satisfatório".

A última cimeira, em novembro, não trouxe um acordo, mas na opinião do governante Portugal melhorou "significativamente" a sua posição no que se refere à politica de coesão.

"Falta melhorar o dossier do Desenvolvimento Rural", resumiu Paulo Portas, sinalizando a importância do investimento na agricultura para Portugal, nomeadamente no que se refere à promoção do crescimento, emprego, ordenamento do território e exportações.

" saída da reunião, o secretário-geral da UGT, João Proença, lamentou que o próximo orçamento não seja "aquele que a Europa precisa, de facto", com libertação de fundos significativos que garantam o crescimento, mas reconheceu avanços.

Também para o líder da central sindical, a área do investimento no mundo rural é "central".

Para Jorge Machado, da CAP, Portugal "tem demonstrado" que consegue investir na agricultura, nomeadamente através do aumento das exportações.

"É necessário continuar a investir. O corte de 25% para os próximos 7 anos é inaceitável. É imperioso que o Governo defenda o investimento na Agricultura em Portugal", sublinhou.

Do lado da CGTP, Arménio Carlos defendeu igualmente a aposta na Agricultura, mas também na promoção de todo o setor produtivo.

Arménio Carlos lamentou, no entanto, que a Europa demonstre não estar preocupada com o emprego, uma vez que, cedendo a pressões dos países "com mais poderio", continua a insistir em políticas de austeridade "que despedem os pais e negam trabalho aos filhos".

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