Trabalhadores da RTP aliam a sua reclamação à do Público

A Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP enviou um pedido para a ERC a solicitar que a sua reclamação contra o ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, "seja apensa ao processo relativo ao jornal Público".

Em comunicado, a CT da RTP considerou que "já motivos de peso, todos os possíveis, para que a ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social] aprecie em conjunto os dois processos".

Isto porque, considera, "ambos dizem respeito ao mesmo procedimento, em que Miguel Relvas aparentemente se tornou useiro e vezeiro: a ingerência abusiva em decisões editoriais de órgãos de comunicação social que devem ser independentes".

Os trabalhadores da estação pública de televisão recordam que, no caso desta, o ministro "telefonou para o presidente do conselho de administração a pressioná-lo sobre o caso Futre".

"[Foi um] caso que nascera mal, com um contrato condenável, como esta CT logo sublinhou, mas que não justificava um atropelo do ministro às competências dos responsáveis da RTP", adiantam.

Em 14 de maio, o presidente da RTP, Guilherme Costa, admitiu que tinha recebido um telefonema de Miguel Relvas sobre a alegada contratação de Paulo Futre para comentar os jogos do Europeu de futebol na televisão pública.

"Fui alertado para esta questão por um telefonema ao fim da manhã de sábado [12 de maio] do senhor ministro da tutela [Miguel Relvas]. Logo nessa altura eu tive a oportunidade de esclarecer o senhor ministro de que esta hipótese podia ser desmentida", afirmou o presidente do conselho de administração da RTP.

A "hipótese" de a notícia, avançada pelo Correio da Manhã, "poder ser desmentida" - explicou Guilherme Costa a Miguel Relvas -- fundamentava-se nos factos de ser "o conselho de administração que aprova quaisquer contratos que a RTP celebre" e de este não ter "conhecimento de quaisquer propostas feitas ou a fazer ao Paulo Futre", explicou Guilherme Costa.

O conselho de redação do Público afirmou na sexta-feira que Miguel Relvas ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um "blackout" de todos os ministros ao diário e divulgar na Internet dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma notícia sobre o caso das secretas.

A notícia, da autoria de Maria José Oliveira, pretendia evidenciar "as incongruências" das declarações prestadas na terça-feira pelo ministro no Parlamento sobre o caso das secretas, mas acabou por não ser publicada.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai iniciar esta semana averiguações ao caso.

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