Teresa Leal Coelho demitiu-se contra disciplina de voto no PSD

Teresa Leal Coelho afirmou hoje que se demitiu da direção parlamentar do PSD contra a disciplina de voto relativamente ao referendo sobre coadoção e adoção por homossexuais, referindo que era suposto ter havido liberdade na bancada.

"Quando a deliberação é tomada, de aceitar a apresentação da iniciativa de referendo, é com uma clara noção de que era preciso salvaguardar a liberdade de voto", afirmou a deputada e vice-presidente do PSD à agência Lusa, adiantando que isso aconteceu "em todas as sedes" do partido.

Teresa Leal Coelho acrescentou que a sua "expectativa era a da liberdade de voto até 48 horas antes da votação" de sexta-feira, à qual faltou, e na qual a proposta de referendo de um grupo de deputados do seu partido foi aprovada em plenário pela bancada do PSD. "Em circunstância alguma aceitaria a disciplina de voto", frisou.

Dois dias antes da votação de sexta-feira, a direção parlamentar do PSD levou esta questão a discussão em reunião da bancada, colocando a votação o apoio à proposta de referendo e a aplicação de disciplina de voto, posição que foi aprovada pela maioria dos deputados, com 12 votos contra e cerca de 70 a favor.

"Aceitei que os meus colegas apresentassem uma iniciativa de referendo no contexto da liberdade de voto, aquilo que eu não aceito é ser obrigada a votar essa iniciativa. A minha demissão decorreu da disciplina de voto", reforçou Teresa Leal Coelho, defendendo que teve "uma posição inequívoca" sobre este assunto desde o início.

Segundo a social-democrata, a possibilidade de coadoção de crianças por homossexuais "não é matéria passível de ser referendada", porque "está em causa uma restrição de ordem jurídica que tem de ser eliminada". Teresa Leal Coelho afirmou pensar "o mesmo em relação à adoção sem reservas".

E advogou que "o projeto de referendo é indissociável da substância".

Àqueles que sugerem que mudou de opinião, por ter aprovado a 22 de outubro a decisão da Comissão Política Nacional do PSD de "não se opor" à apresentação da proposta de referendo, Teresa Leal Coelho respondeu que "é absolutamente falso" e invocou a democracia interna.

"O meu problema não está com a iniciativa de referendo. Respeito que os meus colegas tenham posições divergentes das minhas e percebo perfeitamente que haja quem tenha dificuldade em perceber a minha posição", assinalou.

"O PSD admitiu a iniciativa, porque é prática do PSD. O projeto de resolução entrou, mas isso não queria dizer que fosse aprovado, porque depois era suposto haver liberdade de voto", argumentou.

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