Teodora Cardoso: "É a pior altura" para discutir reestruturação

A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP), Teodora Cardoso, afirmou hoje que esta "é a pior altura possível" para falar de reestruturações da dívida, porque isso penaliza as taxas de juro, que é "o que se quereria evitar".

"Portugal cumpriu o programa, está a sair do programa, quer regressar aos mercados e tem condições para isso. Esta é a pior altura possível para falar de reestruturação da dívida, que tem como consequência a subida das taxas de juro, que é precisamente aquilo que se quereria evitar", disse a economista aos jornalistas à margem da conferência sobre o 'pós-troika', organizada pelo Jornal de Negócios e pela Rádio Renascença, que decorreu hoje em Lisboa.

Para Teodora Cardoso, "é a economia que tem de ser reestruturada, não é a dívida que tem de ser reestruturada".

Afastando a reestruturação como uma opção a considerar para reduzir o endividamento, a presidente do CFP alertou que, "se [Portugal] estivesse numa situação catastrófica, não haveria outro remédio, como não houve na Grécia".

"Mas, de facto, nós não somos a Grécia e agora parece que estamos a querer ser a Grécia", disse, acrescentando que "este manifesto dá a ideia que não se acredita na capacidade do país de disciplinar o orçamento e [que] pode ser essa a leitura dos credores e dos investidores e isso seria uma desgraça".

Para Teodora Cardoso, o que há a fazer para resolver o elevado nível de endividamento do país é "pôr a economia a crescer" e garantir "mais disciplina orçamental".

O manifesto divulgado na terça-feira, subscrito por 74 personalidades, considera que a dívida pública de Portugal é insustentável e que não permite ao país crescer, pelo que defende uma reestruturação que deve ocorrer no quadro europeu.

"No futuro próximo, os processos de reestruturação das dívidas de Portugal e de outros países -- Portugal não é caso único -- deverão ocorrer no espaço institucional europeu, embora provavelmente a contragosto, designadamente dos responsáveis alemães. Mas reações a contragosto dos responsáveis alemães não se traduzem necessariamente em posições de veto irreversível", lê-se no texto divulgado na íntegra pelo jornal Público.

O manifesto foi subscrito por 74 personalidades, quer de esquerda, quer de direita, entre as quais se destacam o ex-ministro socialista João Cravinho, a ex-presidente do PSD e ex-ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite, assim como o ex-ministro das Finanças conotado com CDS-PP Bagão Félix e o fundador do CDS Freitas do Amaral.

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