Temer "lamenta muito" atitude de Bolsonaro para com Marcelo

"É uma pena que tenha acontecido este desencontro", afirmou o ex-presidente do Brasil. Chefe de estado português ainda se reuniu com Fernando Henrique Cardoso.

Michel Temer, ex-presidente do Brasil, lamentou o cancelamento do encontro entre Marcelo Rebelo de Sousa e Jair Bolsonaro. À entrada de uma conversa, em São Paulo, com o chefe de estado português considerou "uma pena" a atitude do seu sucessor no Palácio do Planalto.

"Eu lamento. Eu acho que seria um grande momento até para praticamente dar início às comemorações da independência do Brasil. Uma boa conversa do Presidente de Portugal com o Presidente do Brasil seria extremamente útil. É uma pena que tenha acontecido este desencontro", disse Temer.

"O Presidente Marcelo foi muito delicado quando disse: olhe, quem convida é que mantém ou não mantém o convite, eu não tenho nenhum problema em relação a isso", continuou o presidente brasileiro de 2016 a 2018.

"Eu vou dizer a ele [Marcelo Rebelo de Sousa] que lamento muito o que aconteceu. Agora, não tenho condições institucionais -- eu não ocupo nenhum cargo público -- para falar em nome do Brasil".

Se Temer fosse chamado a aconselhar Bolsonaro - já o foi durante uma crise institucional entre a presidência da República e um dos juízes do Supremo Tribunal Federal do Brasil - aconselharia a manter o encontro que chegou a estar agendado em Brasília. "Eu diria "receba o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, é nosso parceiro, Presidente de Portugal, além de ser uma figura finíssima, delicadíssima, extremamente bem formado"".

Temer contou que conheceu Marcelo Rebelo de Sousa quando ambos eram professores de direito constitucional e que "por coincidência" os dois se tornaram presidentes mais ou menos na mesma altura. "E mantivemos sempre um respeitoso contacto. Aliás, todas as vezes que eu vou a Portugal ele gentilmente faz questão de me chamar, de me receber, como está fazendo gentilmente hoje, para termos uma conversa".

À saída da reunião, Marcelo afirmou que Temer estava "incomodado" com o "desconvite" de Bolsonaro. "Para mim é um não problema, mas percebi que ele estava incomodado com isso e fez questão de me dizer".

A conversa, entretanto, serviu sobretudo para falar dos desafios que a guerra na Ucrânia causa a toda a Europa e não só. "Ele, como Lula ontem, tem muita noção de que isto deixa marcas de um lado e do outro do Atlântico, nas relações. A guerra pode ter efeitos muito significativos".

"O problema é que vamos ter de enfrentar um período difícil. A inflação é uma questão difícil por causa da situação do mundo, que ultrapassa a questão apenas de se é A ou B à frente dos países. O Brasil muitas vezes tem uma noção de que a guerra é europeia e está longe", sublinhou o Presidente da República.

Depois do encontro, Marcelo visitou o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo onde visitou exposição da artista portuguesa Gabriela Albergaria. Mais tarde, sem acesso dos jornalistas, reuniu-se com Fernando Henrique Cardoso, o terceiro antigo presidente brasileiro que visitou, depois de Temer, horas antes, e de Lula da Silva, no domingo. O encontro com Lula, que é candidato à eleição presidencial do Brasil de 2 de outubro, foi o motivo do cancelamento do almoço com Bolsonaro.

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