Tavares admite integrar Governo liderado por Costa

Candidato do PS a primeiro-ministro e dirigente do recém-formado partido admitem entendimentos para as legislativas de 2015. Porém, Costa continua a pedir maioria absoluta e Tavares defende que se reforce o setor à esquerda dos socialistas.

Vontade de convergir, mas com cautelas. Parece ser essa a principal conclusão a retirar do I Congresso do LIVRE, após as intervenções de Rui Tavares, que encabeçou as listas do recém-formado partido ao Parlamento Europeu, e de António Costa, candidato do PS a primeiro-ministro.

Na qualidade de convidado, Costa sublinhou que "o drama da esquerda não está nas suas diferentes identidades", mas em não saber "conviver de forma sadia" com elas. "A direita facilmente se junta, a esquerda facilmente se divide", afirmou o presidente da Câmara de Lisboa, na sua intervenção. E reforçou: "A esquerda tem tentado dividir-se em vez de se somar."

Estava sinalizada a abertura para a convergência - que a audiência, em Sintra, aplaudiu -, mas depois um ligeiro recuo: novo apelo à maioria absoluta, que Rui Tavares já no exterior do auditório rebateu.

"Quanto mais força tiver o setor à esquerda do PS nas urnas, mais força poderá ter no Governo", devolveu o ex-eurodeputado, que, ainda assim, foi assertivo quanto à possibilidade de integrar um Governo liderado por Costa em 2015: "Sim, a resposta é sim", respondeu aos jornalistas, salientando que, por vezes, pensa que "a esquerda ficou traumatizada por 40 anos de ditadura", daí pensar que a governação "é apenas para os outros".

Tavares remeteu, de seguida, a questão da governação para o plano europeu, vincando que "só tendo peso no Conselho de Ministros se pode ter peso no Conselho Europeu". Pelo meio, um recado ao próximo secretário-geral do partido 'rosa', a propósito de uma eventual maioria absoluta: "Os portugueses é que decidirão se preferem, por outro lado, uma maioria mais fiscalizada, com partidos que continuam a pôr a sociedade no centro do debate."

Quanto ao Fórum Manifesto, que se fez representar por Ana Drago, Tavares abriu a porta a mais entendimentos: "Sentimo-nos parceiros." E, falando numa "casa comum", referiu que a do LIVRE, devido "às vantagens de ser partido" - isto é, de incluir elementos do Fórum nas suas listas -, estará "à disposição".

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