Sócrates na campanha "não causa embaraço", diz Assis

José Sócrates entra na campanha no último dia, confirmou cabeça de lista socialista. Que recusa que o ex-primeiro-ministro seja trunfo para a direita PSD/CDS.

Dentro de uma semana, Francisco Assis vai contar com José Sócrates a seu lado no último almoço da campanha eleitoral, em Lisboa, confirmou esta sexta-feira o cabeça de lista do PS em declarações aos jornalistas, durante uma ação de rua em Santarém.

"Não só gostava de ter [Sócrates a seu lado] como vou ter", respondeu aos jornalistas. "José Sócrates, como aliás eu sempre disse, vai participar na campanha, vai estar connosco no último dia da campanha", adiantando que o antigo líder do PS e ex-primeiro-ministro "vai com certeza descer o Chiado", uma ação de campanha em que participará também o secretário-geral socialista, António José Seguro.

Num dia em que a campanha do PS animou com a Bandinha do Castelo, de Alcanede, Assis tratou de afastar a sombra do ex-primeiro-ministro socialista e recusou a ideia de que a presença de Sócrates "haveria de causar qualquer embaraço a quem quer que for". "Como sempre esteve previsto vai participar na campanha do PS", insistiu.

Mais: o cabeça de lista socialista não entende a presença do ex-primeiro-ministro, que tem sido um dos alvos principais do PSD/CDS por ser o "rosto do despesismo", como um "trunfo" para a direita. "Não é trunfo [para a direita], nem vem dar razão" aos discursos de Paulo Rangel e Nuno Melo. "Já contrariámos esse discurso do despesismo", replicou.

"Paulo Rangel acusa agora de praticamente todo o período democrátivo ser despesista. Ele confunde investimento, contributo para o desenvolvimento do país, o papel ativo do estado na promoção da igualdade de oportunidades, da coesão social, do desenvolvimento, confunde tudo isso com despesismo."

E travou também qualquer sugestão de divisão entre os socialistas, apesar da notícia avançada pelo jornal Público esta sexta-feira de que haveria discussões "entre dentes" na direção de Seguro sobre a oportunidade de Sócrates. "Tenho vindo sempre a dizer que o PS está unido" em torno da lista e "a sua compoisção é bem a demonstração dessa unidade".

"Os nossos adversários bem gostariam de ver um PS fragmentado, mas nós temos consciência da responsabilidade histórica que está acometida ao PS, por isso não é tempo de termos discussões internas que não existem", apontou. Por contraste, "é tempo para nos afirmarmos como alternativa em Portugal e é isso que estamos a fazer".

No final, Assis afirmou que "é sempre melhor ganhar por muitos". "Espero que o PS tenha uma vitória muito muito expressiva, mas não vou quantificar", rematou.

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