Sócrates diz que deturparam as suas palavras

O ex-primeiro-ministro português José Sócrates explicou esta quinta-feira a afirmação que fez de que "pagar a dívida é uma ideia de criança", afirmando que falava do "pagamento integral imediato da totalidade da dívida".

"Refiro-me naturalmente ao pagamento integral imediato da dívida de Portugal", disse Sócrates, em declarações à RTP a partir de Paris.

"Dizer-se que a ideia de pagar imediatamente a totalidade da dívida e fazê-lo no próximo ano parece-me realmente uma ideia infantil", acrescentou.

O ex-primeiro-ministro falava sobre declarações que fez numa palestra na capital francesa, publicadas na quarta-feira pelo Correio da Manhã, segundo as quais "para pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança".

A conferência foi registada em vídeo por um dos espectadores, gravação disponibilizada na íntegra AQUI.

À RTP, o ex-primeiro-ministro afirmou que "os Estados sempre tiveram dívida" e sublinhou que "o importante é que tenham essas dívidas geridas de forma a oferecer confiança" aos investidores que vão comprar essa dívida.

Sobre as críticas que lhe foram feitas pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que considerou que as declarações explicam "como o sector público atingiu a dívida absolutamente astronómica" que tem, José Sócrates recusou entrar em polémicas com quem o critica "com base em factos deturpados".

"Dirigi-me àqueles que estão de boa-fé, de coração limpo, que percebem muito bem o que eu quis dizer. Não quero alimentar polémicas com quem não perde uma oportunidade para atacar os adversários políticos baseado em factos que são deturpados", disse.

O ex-primeiro-ministro disse, por outro lado, ver "com muito bons olhos" que atualmente em Portugal "se perceba finalmente que o problema (...) é europeu, se não mundial" e considerou que quem insiste em qualificar a crise da dívida como um problema português "está a prejudicar o interesse" de Portugal.

José Sócrates foi também questionado acerca da possível revisão dos tratados europeus proposta pela França e pela Alemanha, respondendo que uma tal revisão "não (o) incomoda nada" desde que "vá no sentido de um reforço democrático" do projecto europeu.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG