Sócrates defende que outros ministros deveriam ter a "elevação" de Miguel Macedo

O antigo primeiro-ministro elogiou esta noite a atitude da Miguel Macedo, que pediu a demissão de ministro da Administração Interno, na sequência do caso dos vistos gold. Para Sócrates, este é o momento de fazer remodelação governamental.

No seu habitual espaço de comentário na RTP1, José Sócrates disse compreender a atitude de Miguel Macedo, que às 19h30 havia anunciado a demissão devido à sua proximidade com alguns dos suspeitos de corrupção no caso dos vistos gold. "Foi uma atitude com elevação, revelando desprendimento", considerou, elogiando ainda o trabalho de Macedo no Ministério da Administração Interna. "Revelou uma capacidade e competência acima da média", disse.

Para José Sócrates, a decisão de Miguel Macedo de se demitir "contrasta e muito" com aquilo que outros membros do Governo fizeram. Ou melhor, não fizeram, nomeadamente o ministro da Educação e a ministra da Justiça.

O ex-primeiro-ministro socialista mostrou-se especialmente crítico para com Paula Teixeira da Cruz, devido à forma como esta geriu a reforma do mapa judiciário e lidou com o "escândalo" no Citius.

"A ministra decidiu arranjar dois bodes expiatórios e apresentou-os como suspeitos de sabotagem", resumiu José Sócrates, salientando o quanto foi "conveniente" a "senhora ministra" ter querido "passar as culpas para dois funcionários".

"O que tem ficado impune são aqueles ministros que fogem à responsabilidade pública", defendeu José Sócrates, referindo-se especificamente a Paula Teixeira da Cruz e também a Nuno Crato. "Há muito que deveria ter abandonado o Governo", considerou.

Para o antigo governante, "não haverá melhor altura que esta" para fazer uma remodelação governamental. "Agora, o primeiro-ministro terá de fazer uma avaliação, é a altura para fazer uma remodelação governamental", afirmou, referindo, além da educação e da justiça, a coordenação política do governo, que é tutela de Poiares Maduro. "Pode ter muitos méritos mas não este", criticou.

Pelo contrário, o ministro da saúde, Paulo Macedo, mereceu elogios de Sócrates, pela forma como ele e as autoridades da saúde lidaram com o surto de legionela em Vila Franca de Xira. Mas depois, numa indireta atacou o governo, que tem vindo a acusar de querer acabar com o SNS: "Abençoado Serviço Nacional de Saúde".

Alvo de muitas críticas foram os vistos gold, aos quais Sócrates tem algumas "objeções": pelo facto de, na sua opinião, a sua atribuição estar sujeita à "mercantilização" do Estado e pelo facto de assim se dar um "tratamento desigual ao emigrante rico e ao emigrante pobre".

O antigo primeiro-ministro considerou "grave" o caso dos vistos gold, uma vez que "foram detidas pessoas que ocupavam postos muito importantes da administração pública, a quem confiamos a nossa segurança". "Fragiliza a imagem do Estado", resumiu.

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