Sócrates critica Costa: "Quer maioria, não devia desmerecer a única que o PS teve"

Antigo primeiro-ministro voltou a afirmar que o juiz Carlos Alexandre "quis ficar com o caso" da Operação Marquês "por causa da sua vaidade, da intenção de construir a sua biografia e para agradar às suas simpatias".

Reticente a falar de política e sobretudo da campanha para as legislativas de dia 30, José Sócrates acabou por criticar ontem António Costa, o líder do Partido Socialista, de que foi secretário-geral.

"Quem quer maioria absoluta devia não desmerecer a única maioria absoluta da história do PS. A minha. Ganhei duas eleições, em 2005 e 2009. Perdi as de 2011 depois de a esquerda se ter aliado à direita e criado uma crise política, ao votar contra o PEC 4. Estava a lutar firmemente para não pedirmos ajuda", atirou, em entrevista à CNN Portugal. Sócrates garantiu que não está magoado com o PS, mas disse que não tem qualquer relação com a direção do partido: "Eu sou socialista, mas não sou do Partido Socialista. O PS tomou uma posição que ofendeu a minha dignidade."

No entanto, o tema dominante da entrevista foi a participação do antigo chefe de governo Sócrates contra o juiz do inquérito da Operação Marquês, Carlos Alexandre, por alegado abuso de poder e outros crimes - algo que o próprio Sócrates já tinha escrito no DN. "Este juiz não foi escolhido por sorteio eletrónico nem com a presença de um juiz. Não tive direito a nada disso. Foi escolhido de forma fraudulenta, por uma das partes. Foi feito de forma manual, arbitrária. Não é normal que um juiz não cumpra a lei. Durante um ano e meio era a funcionária que escolhia o juiz. Isso é viciação. A distribuição foi falseada", argumentou, no dia em que se soube que essa participação será distribuída na segunda-feira no Tribunal da Relação de Lisboa.

"Carlos Alexandre quis ficar com o caso por causa da sua vaidade, da intenção de construir a sua biografia e para agradar às suas simpatias. Esta escolha foi deliberada, para me prenderem. Só exijo que a lei seja cumprida", prosseguiu, alegando que Carlos Alexandre "era o juiz desejado pelo Ministério Público".

"Os tribunais não podem funcionar como os ministérios, em que os ministros podem escolher quem querem para os seus gabinetes. Naquela altura Carlos Alexandre ficou com todos os processos mediáticos", aditou, acusando o juiz de ser "parcial". "O que aconteceu comigo foi um caso político. O poder político está contra mim. A política em Portugal está a olhar para o lado", vincou.

Se o requerimento da defesa de Sócrates for aceite, Carlos Alexandre e a escrivã Teresa Santos terão de responder à queixa por alegados crimes de abuso de poder, falsificação de funcionário e denegação de justiça.

A 3 de janeiro, a defesa de José Sócrates criticou, em declarações à Lusa, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) por considerar que a entrega do inquérito Operação Marquês ao juiz Carlos Alexandre foi apenas uma "irregularidade procedimental", apesar de ter sido feita em "violação da lei".

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