"Soares sabe como é difícil aplicar este tipo de medidas"

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, considerou hoje que o antigo Presidente da República Mário Soares sabe como ninguém, por experiência própria, como é difícil aplicar programas de austeridade como o actual e como isso é indispensável.

"Ele sabe como é difícil aplicar este tipo de medidas, mas ele, como talvez mais ninguém, tem noção de como é indispensável produzir estas alterações para sairmos da situação em que estamos e cumprirmos com as obrigações externas que o país tem", afirmou Passos Coelho aos jornalistas, no Centro de Congressos de Lisboa, questionado sobre o manifesto encabeçado por Mário Soares que apela à mobilização de quem se opõe às actuais políticas de austeridade.

Antes, Passos Coelho referiu que, como primeiro-ministro, Mário Soares "enfrentou pelo menos por duas vezes situações identicamente muito difíceis para Portugal, que envolveram empréstimos externos efectuados com o apoio do Fundo Monetário Internacional" e, "sobretudo da segunda vez, aplicou um programa extremamente restritivo e de austeridade".

Ainda a propósito do manifesto encabeçado por Mário Soares que foi divulgado hoje, na véspera de uma greve geral, Passos Coelho ressalvou que o antigo Presidente da República, "como qualquer cidadão português, tem o direito de exprimir as suas diferenças de pontos de vista sobre as opções políticas que em cada momento são tomadas".

O primeiro-ministro fez questão de afirmar que tem "muito respeito pelo dr. Mário Soares" e considerou ainda que "a mobilização dos portugueses para a reflexão e para a acção política é uma mobilização positiva", acrescentando que nunca o ouvirão "desincentivar a mobilização seja do que for".

"Mas, se reconheço a importância das pessoas se mobilizarem e se exprimirem, também reconheço que aquilo que é bem importante nesta altura para Portugal é encontrar uma saída para a crise, que resulta do nosso trabalho e do nosso afinco em fazer as transformações que precisamos de fazer. E, portanto, a mim cabe-me a mim tentar mobilizar os portugueses para a acção de todos os dias contribuírem também para a transformação da sociedade portuguesa", concluiu.

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