Soares foi quem deu mais contributos positivos

O primeiro presidente da República civil no pós-25 de Abril, Mário Soares, é a personalidade que mais contribuiu positivamente para o País, enquanto o atual inquilino do Palácio de Belém, Cavaco Silva, está no polo oposto.

Estes resultados constam do barómetro de abril elaborado pela Universidade Católica para o DN, JN, Antena 1 e RTP.

Mário Soares - que foi secretário--geral do PS, ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro antes de eleito presidente (1986) - é visto também pelos portugueses como a personalidade que mais influenciou (independentemente de se gostar dela) a história destes 40 anos em Portugal: 23%, mais do dobro das que apontam Cavaco Silva (11%). Seguem-se José Sócrates (5%) e Ramalho Eanes (3%).

No caso das figuras que mais contributos positivos deram ao País, Mário Soares recolheu 16% das preferências - mais do dobro das que obteve o general Ramalho Eanes, primeiro chefe do Estado eleito (1976) no pós 25 de Abril.

Ramalho Eanes recolheu 7% das preferências, numa questão de "resposta completamente livre", onde não havia "qualquer lista prévia" de nomes à escolha, disse a Católica.

Em terceiro surge outro adversário de Eanes, Sá Carneiro (PSD), com 6%, Cavaco (PSD, 5%) e Álvaro Cunhal (PCP, 4%). Com 2% surgem Jorge Sampaio, António Guterres (ambos do PS) e Cristiano Ronaldo.

Com muitos dos inquiridos a não querer ou saber responder às questões colocadas sobre as personalidades que mais contribuíram ou mais influência tiveram nestas quatro décadas, a sondagem mostra que Mário Soares é citado por mais de 10% dos eleitores de todos os partidos - exceto os do CDS-PP.

No caso do atual Presidente, as suas contribuições positivas para o País são mais observadas pelos eleitores de direita, PSD e CDS.

Relativamente às figuras que mais contribuíram negativamente para o País nos últimos 40 anos, Cavaco Silva é referido por 15% dos inquiridos.

Seguem-se o ex-primeiro-ministro socialista José Sócrates, com 14%, Mário Soares e Pedro Passos Coelho - ambos com 10% - e, por fim, o antigo chefe do Governo e presidente cessante da Comissão Europeia, Durão Barroso, com 2%.

De notar que, em termos estatísticos, tanto José Sócrates como Pedro Passos Coelho e Durão Barroso surgem apenas pelo seu contributo negativo. No polo oposto, entre todos os referidos pela positiva só dois são apontados também pela negativa: Cavaco Silva e Mário Soares.

Ainda em relação às personalidades de quem os portugueses têm imagem negativa, as preferências dos inquiridos - exceto no caso de José Sócrates - refletem as respetivas opções partidárias e ideológicas. Assim, enquanto os resultados de Cavaco Silva e Passos Coelho "devem-se essencialmente aos eleitores de esquerda [CDU, BE e PS]", sucede o inverso com Mário Soares (PSD e CDS-PP).

No caso específico de José Sócrates, os seus resultados negativos "são referidos por mais de 10% dos eleitores de todos os partidos, com exceção dos da CDU", constatou a Universidade Católica.

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para o Diário de Notícias, a Antena 1, a RTP e o Jornal de Notícias nos dias 12, 13 e 14 de abril de 2014. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias (ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma) estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1117 inquéritos válidos, sendo que 59% dos inquiridos eram do sexo feminino, 31% da região Norte, 21% do Centro, 36% de Lisboa, 6% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 67%. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1117 inquiridos é de 2,9%, com um nível de confiança de 95%.

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