Só Bloco de Esquerda vota contra relatório sobre BPN

O PCP vai abster-se na sexta-feira na votação da versão final do relatório de conclusões comissão de inquérito sobre o Banco Português de Negócios (BPN), o que deixa o Bloco de Esquerda sozinho no voto contra.

A posição de abstenção dos comunistas face à versão final do relatório da comissão de inquérito parlamentar sobre a nacionalização e reprivatização do BPN, que se reúne sexta-feira pela última vez, foi transmitida hoje à agência Lusa pelo deputado Honório Novo.

Ao final da tarde de hoje, também o coordenador da bancada socialista, Basílio Horta, indicou a abstenção por parte dos deputados do PS.

Perante o relatório de conclusões da comissão, da autoria do deputado social-democrata Duarte Pacheco, que contou desde o início com o apoio da maioria PSD/CDS, o Bloco de Esquerda comunicou já na semana passada que iria votar contra, definindo assim o seu sentido mesmo antes de ser conhecida a versão final do documento.

Em declarações à agência Lusa, o deputado do PCP Honório Novo justificou a abstenção dos comunistas por considerar que o deputado do PSD Duarte Pacheco apresentou um relatório de conclusões "equilibrado".

"Se o relatório fosse da autoria do PCP, seria seguramente mais contundente na responsabilização de instituições e de governantes do passado e atuais", afirmou Honório Novo.

A versão final do relatório estima que os custos do "buraco" do BPN poderão atingir os 3.400 milhões de euros no final deste ano e imputa responsabilidades à gestão de Oliveira e Costa.

Por outro lado, assume que os contribuintes poderão ser chamados a pagar ainda mais pelo BPN nos próximos anos, por exemplo em juros, dependendo os futuros montantes da rapidez com que se proceda à venda de créditos.

No período da nacionalização do banco, entre 2008 e o início de 2012, o relatório critica a supervisão (sobretudo a de Vítor Constâncio enquanto governador do Banco de Portugal) e a gestão a cargo da Caixa Geral de Depósitos, não resolvendo questões consideradas centrais como "o projeto César" e os créditos da Galilei (entidade que sucedeu à Sociedade Lusa de Negócios).

Já sobre o processo de venda do BPN aos angolanos do BIC, por 40 milhões de euros, o documento refere que o atual Governo não tomou em consideração avaliações de junho de 2011, que estimaram o valor do banco acima dos 100 milhões de euros.

O relatório salienta também que o preço de venda ao BIC por 40 milhões de euros foi baixo, mas adianta que esse foi o preço possível.

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