Siroco: General Pina Monteiro afasta alienação de duas das cinco fragatas

O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas deixou claro, esta quarta-feira, que duas das cinco fragatas operadas pela Marinha não serão modernizadas se se comprar o navio polivalente logístico Siroco.

O general Pina Monteiro falava aos jornalistas no final da audição parlamentar com a comissão de defesa, acompanhado pelo chefe do Estado-Maior da Marinha, almirante Macieira Fragoso.

"Vou continuar a contar com cinco fragatas operacionais, ajustando-as às missões que nos forem atribuídas", referiu Pina Monteiro, afastando a hipótese de o governo alienar duas das cinco fragatas - como fez recentemente com uma dúzia de caças F16 - como forma de obter verbas adicionais para o programa do Siroco.

Contudo, segundo fontes ouvidas pelo DN sob anonimato por não estarem autorizadas a falar sobre uma matéria discutida à porta fechada, Pina Monteiro deixou claro que a compra do Siroco implicará não investir na modernização de duas dessas cinco fragatas.

Pina Monteiro frisou que duas das fragatas (da classe Vasco da Gama) apenas terão assegurados "os encargos resultantes dos contratos já assumidos" e, ainda, os relativos às "docagens e revisões intermédias" previstas - o que afasta a existência de novos investimentos na modernização desses navios.

"O que quero dizer é que tudo o que está estudado é acomodável em termos de efetivos e em termos do orçamento previsto para as Forças Armadas e foi nessa perspetiva que ousámos aceitar o desafio de propor ao Governo a aquisição do navio e de não deixar que esta oportunidade seja perdida, em prol do país e das Forças Armadas", declarou Pina Monteiro aos jornalistas.

"Estamos convictos que a informação adicional que foi prestada à comissão de Defesa Nacional atingiu os objetivos, porque fomos claros, precisos, concisos em relação a toda a informação que temos disponível" sobre o Siroco, adiantou o comandante operacional das Forças Armadas.

A compra do Siroco, que a França quer vender por 80 milhões de euros, "é essencial" para as chefias militares porque reafirma a importância estratégica de Portugal no quadro da NATO; consolida o relacionamento externo do país com a participação em missões internacionais da ONU, NATO e UE; garante capacidade autónoma para salvaguardar a vida e interesses dos cidadãos portugueses no exterior; valoriza o papel das Forças Armadas no apoio à Autoridade Nacional de Proteção Civil (quando necessário em casos de catástrofes ou satisfação das necessidades das populações).

Pina Monteiro deu mesmo, aos deputados, dois exemplos recentes do que implica a não existência de um navio polivalente logístico: o processo de envio de material militar de reconhecimento para os Bálticos, com recurso a um navio mercante, demorou "três meses"; os equipamentos que Portugal tinha no Afeganistão, no quadro da NATO, foram reenviados para Portugal "por uma empresa russa" (que ganhou o concurso aberto para o efeito).

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