Sinto-me sempre europeu

Rui Tavares, eurodeputado independente, faz parte de um vasto painel de oradores e moderadores que a 13 e 14 de setembro debaterá, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o tema "Portugal europeu - e agora?".

Eu sinto-me sempre europeu, mas os poderes desta Europa - tanto no plano político como económico - têm feito um grande esforço para acabar com esse sentimento. Sim: os poderes reais nesta União têm feito tudo, nos últimos tempos, para nos deseuropeízar, para dissolver os laços de solidariedade que fazem de uma comunidade aquilo que ela é. Para dar um único exemplo: sentir-me-ei europeu no dia em que a União deixar de ser um pretexto para que os Estados membros façam concorrência fiscal entre si e as grandes empresas usem o mercado único para fugir às suas responsabilidades tributárias para com as comunidades nas quais crescem e com que fazem negócio. Refiro-me, evidentemente, ao uso de jurisdições múltiplas na União para um exercício de fuga legal aos impostos e planeamento fiscal agressivo que tem sonegado recursos aos Estados e debilitado as nossas sociedades. Enquanto isto continuar a ser possível, o problema não se resolve perguntando-nos quando é que nos sentimos europeus.

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