Semedo pede fim imediato do Governo sem criticar PS

O novo coordenador do Bloco de Esquerda João Semedo considerou hoje urgente parar "o programa suicidário" do atual Governo, defendeu o derrube imediato do executivo PSD/CDS e não repetiu as críticas da véspera ao PS.

João Semedo falava na sessão de encerramento da VIII Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, que decorreu no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, após a intervenção da deputada Catarina Martins, com quem partilhará nos próximos dois anos a coordenação desta força política.

Na sua intervenção, em que apelou à unidade dos bloquistas - "no Bloco de Esquerda há diferenças mas não há linhas" -, João Semedo referiu que o ministro de Estado e das Finanças, Vítor Gaspar, já admitiu que só em 2032 Portugal se libertará do peso da dívida.

"Vinte anos de diminuição dos salários, desemprego descontrolado e aumento da dívida? A questão não é por onde andará Vítor Gaspar depois desse programa de choque e pavor, mas o que restará ao país se a direita levar avante este plano contra o próprio país", disse.

Depois, o deputado do Bloco de Esquerda deixou um apelo: "Temos urgência em parar com este programa suicidário. Temos a urgência de defender o país deste Governo".

Neste contexto, João Semedo aproveitou para contrariar a tese de que o primeiro dia de convenção dos bloquistas tenha secundarizado as críticas às forças do Governo, fazendo do PS o alvo principal.

"Desculpem mas não posso concordar. Dissemos tudo, rigorosamente tudo, o que há a dizer sobre a direita que está no poder. O Bloco de Esquerda quer derrubar o Governo, queremos construir uma alternativa de esquerda", frisou.

Na sua intervenção, João Semedo sugeriu a ideia de que o atual executivo é muito lento a contar o número de carros da sua frota automóvel e rápido na intenção de cortar 3500 mil milhões de euros no Estado social.

"Para saber quantos carros tem o Governo, 500 dias depois de estarem no poder, PSD e CDS ainda vão contar os carros da frota governamental. Quando chegamos aos serviços públicos, ainda antes de saberem como, quando ou onde, já sabem que vão cortar 3500 mil milhões de euros nas escolas e hospitais de que dependem milhões de cidadãos", acusou.

Para João Semedo, na perspetiva do executivo, "as gorduras do Estado transformaram-se nos salários, o combate ao desperdício no aumento de impostos, o país que não aguentava mais sacrifícios agora é convidado a emigrar".

"A destruição de um país empurrado para o abismo, por um ajuste de contas da direita com o mundo do trabalho e o estado social, junta-se o insulto de que neste país de salários mínimos todos vivemos acima das nossas possibilidades", acrescentou.

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