Semedo "fará tudo" para promover diálogo, mas acusa PS de "virar costas à esquerda"

O candidato à liderança do BE João Semedo diz não ter "preconceitos" relativamente ao PS e que "fará tudo" para promover o diálogo, mas acusa António José Seguro de "virar costas à esquerda" ao "convergir" com o memorando.

Em entrevista à agência Lusa, o deputado afirma não se reconhecer em nenhum dos executivos desde os governos provisórios e defende que "a composição" de um eventual governo de esquerda "não é a questão fundamental" mas sim "o seu programa".

Para João Semedo, este programa tem necessariamente de assentar em "quatro pontos": "A rejeição do memorando, uma reforma fiscal que tribute mais os rendimentos de propriedade e capital do que os rendimentos do trabalho, uma política que devolva aos cidadãos o que perderam em direitos e serviços sociais e que assuma como função do Estado o controlo público da banca".

O candidato à liderança do partido reconhece que "é preciso uma grande mudança social e política" onde "não bastam apenas PCP e BE" para constituir um governo de esquerda e considera que esse caminho se faz "com uma política de diálogo, positiva e construtiva de apresentação não apenas de críticas, mas de propostas alternativas" ao PS.

"O principal prejudicado pelas posições da direção do PS e pela manutenção deste apoio ao memorando, pela linha política de António José Seguro, é seguramente o povo socialista, o povo que votou no PS, esta política do memorando é contrária - pode ser favorável à estratégia de Seguro - mas é todos os dias prejudicial para todos os que votaram no PS", advoga.

Na opinião de Semedo, "esta posição de um pé na oposição e um pé na 'troika' não levará certamente o PS para um rumo que convirja para um Governo de esquerda" e garante que o BE fará tudo "para que o PS se desencoste da direita e se chegue à esquerda".

"Quando António José Seguro acrescenta a condição da convergência em torno do memorando está a virar costas à esquerda (...) Acusam-nos de encostar o PS à direita mas não vale a pena, o PS muitas vezes na história se encostou à direita por si próprio", sustenta.

Neste ponto, o deputado do BE critica o PS por ter "recuado" na apresentação de uma moção de censura quando "avançou com a ideia", pelo voto "inacreditável" a favor do pacto orçamental e pela "oposição muito frágil às profundas alterações ao Código Laboral".

João Semedo rejeita ainda a acusação feita por socialistas de que o BE tem no PS o seu principal adversário e defende que "as críticas aos governos de Sócrates foram mais do que justas".

"Os dois governos de José Sócrates ficaram conhecidos por uma política que era a antecâmara do memorando e da 'troika'", afirma.

Questionado sobre se considera que o facto de ter abandonado o PCP, em 2003, pode prejudicar as relações com os comunistas no futuro, o candidato à liderança do BE responde que "estranharia muito" se isso acontecesse e que isso "não tem nenhuma influência".

"As minhas relações são ótimas, como julgo que são as relações de todos os deputados do BE, todos os dias conversamos, há muitos exemplos de discussão e de convergência concreta e prática na ação parlamentar e política", salienta, apontando as recentes moções de censura ao Governo, concertadas entre os dois partidos.

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