Seguro representa uma "visão negra de uma certa politica"

O candidato às primárias do PS tenta, a tudo o custo, não reagir aos ataques de António José Seguro, mas compreende que Mário Soares esteja "chocado" com o seu rival. E desvaloriza o efeito das "bolsas de acrimónia" na coesão do partido.

Os "debates são um assunto encerrado", insiste António Costa, perante a persistência dos jornalistas em querer arrancar-lhe um contra-ataque a Seguro. Mas quando questionado, no final da sua visita à fábrica de lápis portuguesa Viarco, em São João da Madeira, sobre as últimas declarações do líder histórico do partido, não resiste.

"Mário Soares, como muitos socialistas, está chocado com a forma como foi conduzida a campanha por António José Seguro", salientou, sublinhando que "aconteceu uma visão negra de uma certa política, de que as pessoas estão fartas". "As pessoas não querem políticos que fazem ataques pessoais. É sempre uma forma negativa de fazer política. Ainda mais entre camaradas."

António Costa apelou a uma mobilização dos militantes e simpatizantes do PS para votarem no próximo domingo, sublinhando que "é fundamental, a partir de dia 29" que se concentrem "no essencial, que é contribuir para a união do partido". Costa desvaloriza, no entanto, uma possível divisão no PS, limitando os ataques da candidatura de Seguro a "bolsas de acrimónia".

Sem qualquer resquício de algum efeito secundário dessas "bolsas" de acidez, António Costa ouviu atentamente uma autêntica lição de criatividade, empreendedorismo e até de moral, de Miguel Vieira, um jovem que gere a Viarco, mantendo a tradição industrial e exportando do para o mundo.

"Nós conseguimos fazer, inovar e vocês, políticos, fazem o quê?", perguntou retoricamente. "Têm também de mudar as regras do jogo político, ser inovadores, encontrar soluções, para que as pessoas digam 'sim, isto é gente séria'", disse o gestor.

No final da visita, António Costa levava os bolsos cheios de lápis Viarco. Uns com o seu nome gravado, mas outros, uma coleção feita à medida para o candidato, tinham gravado as "12 condições para ser um bom governante". Entre outras, a honestidade, o rigor, a ética, a dedicação, ser sonhador, resistente e tolerante. Resta saber se Costa os utilizará - e em que gabinete oficial.

Porque para escrever "promessas", aconselhou Miguel Vieira, "é melhor a caneta de tinta permanente".

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