Seguro não esclarece convite a Carrilho

O secretário-geral do PS, António José Seguro, recusou hoje esclarecer se Manuel Maria Carrilho integrará o laboratório de ideias do partido, uma possibilidade que está a provocar contestação entre os socialistas.

"Durante a primeira quinzena do mês de fevereiro serão divulgados todos os nomes, como é que vai funcionar. Vai ser um laboratório com uma ampla participação de socialistas e de independentes", afirmou António José Seguro.

Falando à saída do debate quinzenal com o Governo na Assembleia da República, o líder socialista escusou-se a confirmar se o antigo ministro da Cultura de António Guterres vai integrar aquela estrutura de reflexão.

"Quando chegar essa altura, terei oportunidade de divulgar esses nomes", disse.

O ex-dirigente socialista André Figueiredo, ex-secretário nacional do PS para a Organização e um dos deputados considerados próximos de José Sócrates, contestou na quinta-feira a eventual nomeação de Maria Carrilho para a direção do Laboratório de Ideias para Portugal (LIP) do PS, considerando que é alguém com um passado de "traição".

"Se a escolha de Francisco Assis é um tiro certeiro, Manuel Maria Carrilho só pode ser um erro de 'casting'. Nunca esquecerei a insídia protagonizada por Carrilho para com três secretários-gerais do PS [António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates] e espero, sinceramente, que não seja tentado a persistir nessa baixeza", avisa o ex-membro do Secretariado Nacional do PS.

A posição de André Figueiredo segue-se a declarações críticas no mesmo sentido feitas pelo deputado José Lello na reunião de quinta-feira da bancada socialista e de uma carta aberta aos militantes do PS, divulgada no facebook, de Renato Sampaio, que também acusou Carrilho de ter traído António Guterres, Ferro Rodrigues e José Sócrates.

Numa posição transmitida à agência

Manuel Maria Carrilho recusou-se na quinta-feira a responder aos deputados socialistas que contestam a sua nomeação para a direção do laboratório de ideias, mas adiantou que na política combate os que "estropiam o espaço público".

"Não tenho comentários a fazer", declarou o ex-ministro da Cultura à agência

Manuel Maria Carrilho remeteu depois a sua primeira resposta a essas críticas para os parágrafos finais da sua crónica publicada na quinta-feira no Diário de Notícias.

"Nunca quis, nem quero, nada da política. Tal como acontece, estou certo, com muitos cidadãos dos mais diversos partidos, move-me apenas a genuína convicção de que lhe posso dar alguma coisa. Com um objetivo fundamental: o de, contrariando as múltiplas tenazes que desvitalizam a democracia e estropiam o espaço público, contribuir de todas as formas possíveis que estejam ao meu alcance para a sua valorização e qualificação", escreve no DN.

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