Seguro estraga foto de Passos com "divergência insanável"

Estratégia orçamental ocupou os dois líderes durante três horas. Mas apenas para sublinhar caminhos diferentes

Hoje, quando Pedro Passos Coelho se encontrar com Angela Merkel pode apresentar a fotografia da longa reunião de ontem com António José Seguro como prova do seu esforço para o consenso. Mas a chanceler alemã ficará perdida na tradução: o secretário-geral socialista foi dizer ao primeiro-ministro que "entre o PS e o Governo há uma divergência insanável" na definição da estratégia orçamental.

Por oposição a esta divergência, António José Seguro notou que "há um grande consenso, político e social", sobre o facto de o País dever "equilibrar as suas contas públicas", sublinhando os contributos dados pelos socialistas com assinatura favorável do Tratado Orçamental e a inscrição da "regra de ouro" na lei de enquadramento orçamental.

"A estratégia para alcançar esse equilíbrio é o que nos opõe ao Governo", apontou. "Desde sempre", acrescentou. Fora isto, nada. Ou muito pouco: o líder socialista voltou a insistir na obrigação de o Governo ir aos mercados "sem necessidade de qualquer apoio".

A própria carta de Pedro Passos Coelho a convidar o líder socialista antecipava este diálogo impossível. O primeiro-ministro falava em "sucessivas e bem sucedidas avaliações trimestrais realizadas", uma tecla que o PS tem criticado, fazendo a avaliação contrária.

Após o encontro - em que, ao contrário de reuniões anteriores, o gabinete de Pedro Passos Coelho permitiu a recolha de imagens pela comunicação social no início -, António José Seguro afirmou que "não precisava de ter mais informação" para "reafirmar" a oposição socialista à estratégia orçamental que, num horizonte imediato, o Governo terá de apresentar em Bruxelas, até ao final de abril e onde a maioria PSD/CDS terá de antecipar as linhas gerais para novos cortes de dois mil milhões de euros.

"Consideramos que, atendendo ao esforço que os portugueses fizeram, aos pesados sacrifícios porque passam, aquilo que é obrigação do Governo é criar as condições para um regresso sustentável, com taxas de juro suportáveis pelas nossas contas públicas." "Se isto não se verificar, o Governo deve explicações ao País", sentenciou.

E acrescentou a certeza com que os parceiros europeus podem contar: "Não há nenhum grau de incerteza quanto ao equilíbrio das contas públicas como objetivo central."

Nem a presença de uma imagem do santo casamenteiro, António de Lisboa, atrás de Pedro Passos Coelho, salvou qualquer possibilidade de namoro quanto mais um qualquer casamento de conveniência. Seguro admitiu mesmo que "não foi uma reunião fácil" - e explicou-se: "O primeiro-ministro tem uma posição, eu tenho outra."

Em abono da verdade, as expectativas era poucas, apesar da duração da reunião. Começou às 18.45 e terminou às 21.42. Mas as primeiras palavras de Seguro deixaram pouca margem para qualquer novidade, com o socialista a retomar a resposta ao convite do primeiro-ministro. "Cumpro o meu dever institucional, que é o de aceitar esta reunião no quadro de uma democracia madura, como é a democracia portuguesa."

António José Seguro resumiu as três horas de reunião, repetindo que "há uma divergência insanável". "Esse é o resumo desta reunião", notou. Passos Coelho não resumiu o encontro. O primeiro-ministro não prestou declarações nem o seu gabinete emitiu qualquer nota.

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