Seguro diz que não esteve com CDS para piscar olho à coligação

O secretário-geral do PS recusou hoje que a reunião que teve com o presidente do CDS se tenha destinado a procurar uma coligação futura de Governo e defendeu a tese que dialogar não significa piscar o olho.

António José Seguro falava aos jornalistas no final de uma reunião com o presidente do CDS-PP, Paulo Portas, na sede dos democratas-cristãos, que durou uma hora e 40 minutos, após esta manhã já ter estado reunido com a direção do PCP e de ao início da tarde se ter encontrado com o antigo presidente da Comissão Europeia, Jacques Delors.

Interrogado sobre a possibilidade de estar em marcha um possível entendimento entre PS e CDS, António José Seguro travou esse tipo de interpretações.

"Eu não vim aqui à procura de nenhuma coligação. Os governos não saem dos gabinetes, mas sim das eleições. Vim aqui [sede do CDS] cumprir um dever, que é o de procurar pontos de convergência com todos os partidos por forma a que o país tenha uma estratégia que combata o desemprego, envolvendo também os parceiros sociais", salientou o líder dos socialistas.

Sobre o CDS-PP, liderado por Paulo Portas, o secretário-geral do PS referiu que o CDS "é um partido do atual Governo ao qual o PS se opõe".

"O PS tem as suas convicções e não integrará nem liderará nenhum Governo que não esteja de acordo com os nossos valores e com a nossa declaração de princípios. Quando o PS governar, ou integrar o futuro Governo (como desejamos), governaremos de acordo com o nosso projeto político", acentuou.

Depois, o secretário-geral do PS defendeu a ideia de que "dialogar não significa piscar o olho e que dialogar deveria até significar um ato normal em democracia".

"Só neste país é que, quando há uma reunião entre partidos, isso é considerado excecional e dramático. Estou a pensar exclusivamente num problema gravíssimo, que é o elevado número de desempregados", disse.

Questionado sobre pontos de convergência entre o PS e o CDS, Seguro reiterou a ideia de que não partiu para os encontros com os partidos "com a expectativa de que cada reunião tenha conclusões".

"Considero fundamental que o diálogo seja aprofundado, sabendo-se que os partidos são diferentes, têm estratégias diferentes e posicionamentos diferentes. Sem abdicar das convicções, é importante que se faça um esforço para conseguirmos ir ao essencial, que é o combate ao desemprego", defendeu.

Além de António José Seguro, a delegação do PS foi constituída pela presidente do partido, Maria de Belém, pelo porta-voz, João Assunção Ribeiro, e pelo vice-presidente da bancada socialista José Junqueiro.

Pela parte do CDS, além de Paulo Portas, estiveram presentes o porta-voz, João Almeida, e os dirigentes Helder Amaral e António Carlos Monteiro.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG