Seguro converge com PCP nas questões sociais

O secretário-geral do PS afirmou hoje que registou "grande convergência" com a liderança do PCP em relação às preocupações sociais, embora também tenha verificado "naturais divergências" no que respeita a matérias europeias.

António José Seguro falava aos jornalistas após uma reunião de hora e meia com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, na sede nacional dos comunistas, encontro que o líder socialista classificou globalmente como "muito positivo".

Fazendo uma breve síntese do encontro, António José Seguro disse ter concluído que houve "uma grande convergência quanto às preocupações sociais", mas observou que na questão europeia registaram-se "naturalmente posicionamentos diferentes".

"Em algumas matérias há convergência, em outras há divergência, mas isso é resultante do facto de existirem partidos com autonomia estratégica", defendeu.

Nas declarações que fez aos jornalistas, o secretário-geral do PS optou por salientar a questão do diálogo político, mais do que qualquer tipo de conclusões de ordem estratégica.

"Consideramos muito positivo o diálogo entre os partidos fora da Assembleia da República, porque o diálogo é um valor essencial na democracia", advogou Seguro, adiantando, no entanto, que não ficou marcada nova reunião com a direção do PCP.

Para António José Seguro, na atual conjuntura do país, "o que é importante é que o diálogo faça aproximar posições e, sobretudo, faça com que os partidos tenham a capacidade de perceber que Portugal vive uma situação de emergência dos pontos de vista económico e social".

"Se há espaço para afirmar as divergências, também deve haver espaço para afirmar as convergências", disse.

Entre outros pontos, segundo Seguro, a reunião abordou "o grave problema do desemprego, a primeira razão que motivou o encontro com os partidos políticos".

Perante as questões dos jornalistas sobre resultados da reunião, o líder socialista desvalorizou a ausência de resultados concretos e justificou porquê:

"Partimos para estas reuniões sem ter preocupações quanto às suas conclusões. Não haverá conclusões desta reunião, nem das outras que se vão seguir [com outros partidos]. Estamos perante o início de um processo que o PS considera muito relevante e positivo, que é o diálogo entre os partidos em Portugal. Era o que mais faltava que o diálogo entre os partidos fosse visto como algo de excecional e dramático. Pelo contrário, deve ser algo de inerente ao exercício partidário na vida democrática do país", sustentou.

Ainda em defesa da sua tese, o secretário-geral do PS invocou a situação "excecional do país" para sustentar a importância de as forças políticas se encontrarem "e olhos nos olhos falarem sobre os temas que mais preocupam os portugueses".

"O diálogo entre os partidos políticos não pode ser pré-eleitoral ou pós-eleitoral, nem pode obedecer a qualquer jogo partidário. O diálogo deve obedecer à resolução dos problemas concretos dos portugueses, com particular destaque para o desemprego", contrapôs.

Seguro acentuou depois a sua convicção que "os portugueses apreciarão que os partidos, numa fase difícil do país, sejam capazes de somar no sentido de minorar as dificuldades e, particularmente, combater o desemprego".

Na reunião com o PCP, pela parte do PS, estiveram presentes os dirigentes Alberto Martins, Idália Serrão e o líder parlamentar, Carlos Zorrinho.

O PCP, além de Jerónimo de Sousa, fez-se representar com os dirigentes Jorge Cordeiro (Comissão Política e Secretariado), Jorge Pires (Comissão Política) e Manuela Pinto Ângelo (Secretariado).

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