Seguro admite corrigir "situações de exceção"

O secretário-geral do PS, António José Seguro, admitiu na segunda-feira à noite "corrigir situações de exceção" na sociedade portuguesa, depois de questionado sobre o facto de os juízes do Tribunal Constitucional se poderem reformar ao fim de dez anos.

"Não faz sentido que possa haver exceções em relação a regras gerais na sociedade portuguesa. O PS vai concentrar-se em corrigir essas situações. Não estou a dizer que deva ter aplicações retroativas, mas para futuro nós devemos combater todas as situações de exceção ou situações de discriminação positiva ou de privilégios como lhe queiram chamar", disse em entrevista à TVI24.

O secretário-geral do PS sublinhou que o próximo Governo "não pode errar" e reiterou algumas das propostas do PS, dizendo que o programa dos socialistas visa "atacar as causas dos problemas".

Seguro destacou a necessidade de "separação entre o público e o privado na saúde", defendendo que os profissionais devem escolher em que setor querem continuar a trabalhar.

"O que não tem sentido é que possa existir um diretor de serviços a trabalhar no público e que ao mesmo tempo tenha uma clínica" na mesma área, sustentou.

Questionado pelo jornalista Paulo Magalhães, o líder socialista recusou a ideia de apresentar um "governo sombra", afirmando que não existe essa tradição em Portugal, mas adiantou que "há um conjunto de pessoas que está a colaborar com o PS que vão progressivamente aparecer em termos públicos", constituindo "um universo" do qual poderão sair futuros membros de um Governo PS.

Questionado sobre se voltará a defender eleições antecipadas, Seguro respondeu que após a decisão do Presidente da República de não dissolver o parlamento, a "responsabilidade do PS é apresentar propostas para resolver os problemas do país".

Para o líder socialista, o primeiro-ministro deve explicar "de uma vez por todas porque é que fala periodicamente em segundo resgate" e disse que se isso acontecer a responsabilidade é das políticas do Governo. "

António José Seguro declarou que a estratégia do PS passa por "ligar o processo de ajustamento das contas públicas à evolução da economia" e voltou a rejeitar "a política dos cortes" que levam "a mais défice, mais recessão".

Questionado sobre quais as metas do PS para as eleições autárquicas de 29 de setembro, Seguro reiterou que a vitória será ter "mais um voto" que o segundo partido mais votado, mesmo se não tiver mais presidências de câmara.

O líder socialista disse acreditar que a lista do PS no Porto, liderada por Manuel Pizarro, tem "todas as condições" para ganhar as eleições, recusando que possa ficar em terceiro lugar.

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