Seguro acusa Passos de "proteger a pouca vergonha"

O secretário-geral do PS, António José Seguro, acusou hoje Pedro Passos Coelho de ser "cúmplice por omissão" relativamente à situação na Madeira e de estar a "proteger Alberto João Jardim e a pouca vergonha que se passa" no arquipélago.

"Nós percebemos porque é que eles não querem divulgar a verdadeira situação na Madeira, sabemos porque é que o primeiro-ministro e líder do PSD não mandou fazer uma auditoria, percebemos porque é que não se vai perceber quais vão ser as consequências decorrentes da má gestão e do descalabro financeiro na Madeira. Por uma única razão: porque o líder do PSD e primeiro-ministro é cúmplice por omissão daquilo que o PSD e Alberto João Jardim estão a fazer na Madeira", disse, num comício no Funchal.

Numa intervenção de cerca de meia hora em que considerou estarem em causa "princípios e valores" no escrutínio do próximo dia 09, o líder socialista voltou a defender a necessidade de serem apuradas responsabilidades relativamente à ocultação de dívida na Madeira -- "eventualmente até no plano criminal", disse - e de não se passar simplesmente "uma esponja no passado".

"Ao contrário do que prometeu o primeiro-ministro, não houve auditoria nenhuma. A única coisa que houve foi um relatório que tem por base quase exclusivamente aquilo que lhe foi dito pelo Governo regional da Madeira. Como é possível que o primeiro-ministro tenha prometido uma auditoria e o ministro das Finanças tenha dito dois dias depois que não houve auditoria nenhuma?", questionou.

Para Seguro, o primeiro-ministro e líder do PSD "está a proteger com o seu silêncio o seu companheiro de partido Alberto João Jardim e a pouca vergonha do que se passa na Madeira".

O socialista lamentou ainda que os madeirenses "vão para eleições sem saber toda a verdade" e deixou uma referência velada à atitude de Passos Coelho relativamente às eleições regionais na Madeira.

"Se eu não estivesse de acordo com o Maximiano Martins [cabeça de lista do PS às legislativas regionais] podem ter a certeza que não ficava refugiado em Lisboa [...] e não me refugiava numa entrevista a uma televisão [...]. A coragem tem de ser concretizada, não pode ser apenas dita e proclamada", comentou.

Rejeitando "a ameaça do independentismo", Seguro considerou que as responsabilidades pela situação financeira da Madeira "não se podem apagar com o resultado do próximo dia 09 de Outubro".

"Há responsabilidades políticas [...] partidárias [...], mas há também responsabilidades orçamentais e responsabilidades eventuais no plano criminal. No momento em que os portugueses são chamados a fazer tantos sacrifícios não seria compreensível que aqueles que criaram uma situação dramática e difícil na Madeira não fossem responsabilizados aos mais diversos níveis", disse.

Antes, Maximiano Martins deplorou que esteja a ser passada da Madeira "uma imagem degradante de mentira" e responsabilizou pela situação Alberto João Jardim, que "enriqueceu alguns e empobreceu a Madeira, colocando a Madeira à beira do abismo".

Na sua opinião, o presidente do Governo Regional "já estaria preso" se tivesse feito "na sua vida pessoal" o que fez com a gestão financeira da região.

O candidato deixou ainda uma convicção: "Trinta e cinco anos de poder absoluto estão a chegar ao fim. Tenho informações que estamos à beira de um resultado histórico para a Madeira", declarou.

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