Seguro acusa Passos Coelho de "enganar portugueses"

O secretário-geral do PS acusou hoje o primeiro-ministro de "faltar sistematicamente à palavra" e de "enganar os portugueses", carregando-os com "mais sacrifícios", como "o aumento de impostos, cortes nas pensões e despedimentos na Função Pública".

"Todos os portugueses estão surpreendidos, porque houve um aumento de impostos, a somar ao aumento brutal de impostos" do "ano passado, houve cortes nas pensões e nas reformas, que passaram de provisórios a definitivos, há despedimentos na função pública", disse António José Seguro na feira agropecuária Ovibeja em reação ao Documento de Estratégia Orçamental, apresentado esta tarde.

E "tudo ao contrário daquilo que o Governo tem andado a dizer", continuou, considerando que "tão grave" como as medidas hoje anunciadas, é o país ter "um primeiro-ministro [Passos Coelho] e um Governo que falta sistematicamente à palavra, que engana os portugueses".

"Como é que estas pessoas [membros do Governo] se sentem, quando dizem uma coisa e fazem outra completamente diferente, e, sobretudo, não respeitam os portugueses e carregam com mais sacrifícios os reformados, os pensionistas, os trabalhadores da função pública?", questionou.

Seguro considerou a atuação do Governo "inaceitável", referindo que o executivo PSD/CDS-PP "não merece a confiança dos portugueses".

"Os portugueses já tinham razões para desconfiar deste Governo e hoje está demonstrado, mais uma vez, o que vale a palavra do primeiro-ministro e dos membros do Governo", frisou.

António José Seguro disse que o PS, "naturalmente, irá votar contra o DEO, se o Governo apresentar este documento a votação no parlamento, porque, é sabido", que os socialistas têm "uma posição divergente".

"Precisamos de parar com os cortes, a consolidação orçamental deve ser feita" pelo lado do crescimento da economia, defendeu.

A conferência de imprensa hoje realizada em Lisboa para apresentar as medidas do DEO, segundo insistiu o líder socialista, foi "uma forma de encenação para tentar encobrir aquilo que é aumento de impostos, cortes nas pensões e despedimentos na função pública".

Para Seguro, as eleições europeias do próximo dia 25 são "uma forma de os portugueses expressarem a sua revolta e a sua indignação" contra o Governo do PSD/CDS-PP.

Já antes, o PS, através de Eurico Brilhante Dias, membro da direção do partido, acusara o Governo de ter "voltado a faltar à palavra" perante os portugueses, já que nos próximos anos haverá aumentos de impostos, mais cortes e a austeridade vai continuar.

"O Governo voltou a faltar à verdade, enganando os portugueses de forma sistemática. No passado dia 14, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que não haveria mais aumento da carga fiscal, mas hoje os portugueses ficaram a saber que vão ter de pagar mais impostos", declarou o membro do Secretariado Nacional do PS.

Em conferência de imprensa, Eurico Brilhante Dias disse que os portugueses só podem ter uma certeza: "O Governo, de forma repetida, diz uma coisa e faz outra".

"No passado dia 15, a ministra de Estado e das Finanças [Maria Luís Albuquerque] dizia que não haveria aumento de impostos ou esforço extra sobre salários e pensões, mas hoje sabemos que teremos mais impostos e mais cortes permanentes nos salários e nas pensões", apontou o dirigente socialista.

Na sua reação ao DEO, Eurico Brilhante Dias visou também o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, referindo que ainda hoje o presidente do CDS dizia que o "aumento de impostos" de 2013 tinha constituído uma "enorme violação de consciência".

"Pois, hoje, o senhor vice-primeiro-ministro voltou a violar a sua consciência. O Governo tem uma agenda escondida e os portugueses estão confrontados com um aumento da taxa social única (TSU) e um aumento de impostos sobre o consumo", sustentou o membro da direção do PS.

Ainda de acordo com o dirigente socialista, no DEO, no capítulo da política fiscal, observa-se que os portugueses, no próximo ano, "pagarão mais 350 milhões de euros de impostos, entre TSU, IVA e outros impostos sobre consumo".

"Não há sombra de redução de impostos e de IRS. Aquilo que o Governo anda a fazer numa propaganda contínua, de que prepararia uma redução de impostos, não existe e o que temos uma vez mais é um aumento de impostos", contrapôs.

Eurico Brilhante Dias considerou ainda "enganosa" a ideia de que os funcionários públicos e pensionistas vão ficar melhor do ponto de vista financeiro a partir de 2015.

"Há um autêntico corte retroativo de pensões. Os pensionistas da Caixa Geral de Aposentações e da Segurança Social ficaram hoje a saber que o Governo não vai repor os cortes que fez. Pelo contrário, fará com que esses cortes permaneçam", disse, antes de se referir ao calendário de reposição dos cortes efetuados dos salários dos trabalhadores do setor público.

Neste último ponto, Eurico Brilhante Dias salientou que o valor inscrito no DEO "é aproximadamente um terço do corte salarial que foi feito este ano".

"O DEO considera que são cerca de 225 milhões de euros de reposição, quando só este ano os funcionários públicos sofreram um corte superior a 640 milhões de euros", acrescentou o membro do Secretariado Nacional do PS.

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