Secretária-geral da Justiça fez parte do júri em todos os concursos de altos dirigentes

Arguida Maria Antónia Anes era conhecida como a "todo-poderosa" no Ministério da Justiça. Especialista Superior da Polícia Judiciária, passou por gabinetes de diversos governos.

A secretária-geral do Ministério da Justiça (MJ), detida na quinta-feira no âmbito da investigação à concessão dos vistos dourados, fez parte do júri da Comissão de Recrutamento e Seleção da Administração Pública (CReSAP) que escolheu todos os dirigentes superiores do MJ. Segundo confirmou ao DN fonte oficial deste organismo, responsável pela seleção dos quadros superiores do Estado, Maria Antónia Anes "é uma das vogais não permanentes da CReSAP e integra o júri dos concursos do Ministério da Justiça".

Esta função dá a Maria Antónia Anes o "poder" de ter a última palavra na escolha destes dirigentes e uma potencial influência sobre os mesmos. O papel da CReSAP tem como limite selecionar três nomes, que considera ter mérito para a vaga em concurso, e indicá-los ao respetivo ministério. É depois a tutela quem faz a escolha final. No Ministério da Justiça, ao que o DN apurou, a opinião da secretária-geral era bastante considerada pela ministra Paula Teixeira da Cruz.

As últimas nomeações, em cuja seleção Maria Antónia Anes participou, enquanto membro do júri da CReSAP, foram as do vice-presidente e do vogal do Instituto de Registos e Notariado (IRN), cujo presidente, António Figueiredo, é também um dos detidos da operação dos vistos gold.

A ligação profissional da Maria Antónia Anes a António Figueiredo tem alguns anos, aliás. Antes de ser chamada por Paula Teixeira da Cruz para dirigir a secretaria-geral do ministério, foi coordenadora do setor de formação do IRN, quando Figueiredo já era presidente.

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