Santos Silva pede a Seguro chumbo de moção

Ex-ministro socialista sugere a líder do PS uma declaração que cabe em "três frases" para António José Seguro rejeitar texto do PCP. Secretário-geral socialista em silêncio sobre divisão na bancada.

O antigo ministro socialista, Augusto Santos Silva, veio deixar uma sugestão a António José Seguro para votar "não" à moção de censura do PCP, depois de lido o texto comunista, apesar do secretário-geral do PS já ter dito que votaria a favor, num texto publicado esta quinta-feira à tarde na sua página de Facebook.

O ex-dirigente - que publicamente já se colocou do lado de António Costa, na disputa interna do PS - sabe "que o secretário-geral já havia anunciado o voto favorável" diz compreender "o argumento" usado por Seguro: "já censurámos o governo uma vez, censuraremos todas as vezes até ele acabar".

E Santos Silva acrescentou: "Não vejo nenhuma contradição, antes vejo clareza, numa nova posição", que se podia traduzir numa declaração que "podia caber em três frases": 'Já tinha dito que a moção do PCP era um frete ao governo. Li agora o seu texto. E, lido o texto, voto não, porque não faço fretes ao PCP na sua sanha contra o PS'."

Nos considerandos, o antigo ministro dos governos de José Sócrates defende que "o texto da moção do PCP é clarinho como água: a culpa é da 'troica nacional' constituída por PS (repito, PS), PSD e CDS, e das 'políticas de direita' seguidas sucessivamente pelos governos 'nos últimos 37 anos' (repito, 37, incluindo, portanto, 18 anos de governos liderados pelo PS)".

Mesmo que "os considerandos não se votam, apenas a parte resolutiva", Santos Silva diz que "os considerandos estão lá de propósito, para provocarem o PS" e "quem votar a favor desta moção vota a favor na [sua] modesta opinião, da provocação do PCP". O que expõe um deputado do PS "ao ridículo".

O DN tem procurado, sem sucesso, saber a posição do secretário-geral socialista sobre o facto de vários deputados terem pedido uma abstenção violenta, uma convulsão na sua bancada que tem com pano de fundo a anunciada disponibilidade de António Costa para disputar a liderança do partido a Seguro.

Apesar de ter classificado a moção de censura do PCP como um "frete" ao Governo, na segunda-feira, à TSF, ainda antes do texto comunista ser conhecido, Seguro afirmou que "se há um partido que toma a iniciativa de apresentar uma moção de censura ao Governo, depois do PS já ter censurado esse Governo, o PS não pode ser incoerente no seu sentido de voto".

O grupo parlamentar reúne-se uma segunda vez, ao fim da tarde, no Parlamento. Desconhece-se se o líder do PS estará presente, apesar de não ser habitual Seguro participar nestes encontros.

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