"Salário mínimo tem de aumentar nos próximos anos"

O ministro da Economia e Emprego reconheceu no Parlamento que o salário mínimo "tem de aumentar nos próximos anos", mas avisou que fazê-lo agora seria "meio caminho andado para o falhanço do País"

Um dia depois de Passos Coelho afirmar que o País terá de empobrecer, Álvaro Santos Pereira foi ao Parlamento, por requerimento do BE, para responder sobre as medidas para o emprego.

A deputada bloquista Mariana Aiveca abriu o debate a acusar o Governo de estar "numa corrida desenfreada para moldar o País à imagem de uma gigantesca fábrica dos subúrbios de uma qualquer capital asiática".

Aiveca resumiu o sentido da política de Passos Coelho numa frase: "É o despedimento low cost que coloca o emprego em saldos e os direitos na gaveta"

Álvaro Santos Pereira rebateu a crítica traçando uma diferença entre a "protecção das pessoas e do posto de trabalho". "Não é a mesma coisa."

"O que verdadeiramente nos preocupa são as pessoas," acrescentou explicando que o Governo quer defender o trabalhador dando-lhes meios para aumentar as suas condições de empregabilidade e não "o posto de trabalho e a falta de mobilidade".

Em resposta ao PCP, que o acusou de rasgar o acordo na concertação social sobre o aumento do salário mínimo, o ministro disse: "Eu também acho que o salário mínimo nacional tem de aumentar nos próximos anos. Mas só quando a economia crescer. Alguns partidos querem aumentar para 600 euros. É demagogicamente interessante. Mas eese aumento dos salários seria meio caminho andado para declararmos o falhanço de Portugal."

O PS não poupou o ministro a críticas dizendo que Álvaro Santos Pereira se arrisca a ficar para a história como "o ministro do desemprego".

O deputado Miguel Laranjeiro, uma semana depois de Rui Rio o dizer, afirmou que o primeiro-ministro "ao querer um Governo pequeno [entregando muitos dossiers ao ministro da Economia] criou um grande problema a Portugal".

"[...] Confundiu tudo e não consegue dar resposta a quase nada. Era uma míssão impossível para um ministro que embora possa ter muito boa vontade, não tem o peso político que muitos, e muitos na maioria que o apoia, já detectaram".

Laranjeiro deixou ainda um aviso à maioria contra a proposta de usar dinheiro do fundo da segurança social (guardado para as reformas) para apoiar as contratações.

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