"Saio com muita mágoa, mas não vou cruzar os braços"

Macário Correia, que suspendeu funções na Câmara Municipal de Faro, enquanto aguarda recurso de processo judicial, garante ao DN lutar "até ao fim para que tudo fique esclarecido na justiça".

"Saio com muita mágoa, mas não vou cruzar os braços, não fico em casa, nem estou de férias, que, de resto, já não as tenho há 17 anos. Continuo bastante tranquilo e lutarei até ao fim para que tudo fique esclarecido na justiça". Quem o diz, em declarações ao DN, é o social-democrata Macário Correia, um dia após deixar a presidência da Câmara Municipal de Faro, ao suspender funções enquanto aguarda recurso do processo judicial de que foi alvo quando era o principal responsável da autarquia de Tavira e que o conduziu à perda do atual mandato por decisão do Supremo Tribunal Administrativo por alegadas irregularidades no licenciamento de obras privadas naquele concelho.

Depois de insistir que está envolvido num processo judicial, "em matéria que não tive qualquer interesse, a não ser ajudar quem precisa", Macário Correia prometeu que um dia explicará "com muito detalhe" essa situação. Já em relação ao seu sucessor no executivo camarário farense, Rogério Bacalhau, que tomou posse na terça-feira como presidente da edilidade, Macário Correia limitou-se a dizer: "Não é pertinente fazer comentários sobre colegas da própria equipa. É sobretudo de realçar o voto de boa sorte a todos".

Em conferência de imprensa realizada nesta quarta-feira no Salão Nobre dos Paços do Concelho, o novo presidente da Câmara Municipal de Faro deixou um aviso: "Exercerei uma liderança firme, é certo, mas de carácter dialogante, integradora e inclusiva. Conto com a ajuda de todos". E repetiu que "os objetivos propostos não se alterarão um milímetro".

A cerca de três meses da conclusão deste mandato, Rogério Bacalhau destaca o Pavilhão Municipal da Penha, investimento superior a um milhão de euros, e o ginásio no edifício do Mercado Municipal de Faro, que custou mais de 300 mil euros, como duas obras a inaugurar durante o mês de Julho ou Agosto. "O ginásio vai servir para o clube de judo, que muito tem dado a Faro em termos de notoriedade, desenvolver as suas atividades. O pavilhão é uma história muito complicada que se iniciou há dez anos com problemas de empreiteiros, de estrutura, empresas que faliram. Tivemos de o recuperar, lançando novo concurso. Esperamos que durante este mês, princípio do próximo estará concluído e concretizar assim uma aspiração dos farenses. Vai dar resposta a uma carência que o município tem na área desportiva, permitirá desenvolver ali uma multiplicidade de atividades, apoiar mais as associações e os clubes do concelho e colocá-lo à disposição dos nossos munícipes", sublinhou.

Ao DN, Rogério Bacalhau, que encabeça a lista do PSD à Câmara Municipal de Faro nas eleições autárquicas a realizar no dia 29 de Setembro de 2012, depois de recusar tecer comentários sobre o processo judicial envolvendo Macário Correia, não poupou elogios ao autarca agora com funções suspensas. "Todos lhe devemos estar gratos por ter colocado o seu conhecimento, a sua sabedoria, o seu trabalho, a sua dedicação ao serviço dos munícipes de Faro. Implementou um projeto que está neste momento à vista de todos", enalteceu.

Sobre o eventual regresso de Macário Correia à política, o agora presidente da edilidade da capital algarvia lembrou que ele "é um homem novo, com um conhecimento muito grande da realidade do país e da Europa, onde integra o Comité das Regiões". "O contributo que ele poderá dar ao país e ao partido é imenso. Isto é apenas um afastamento temporário da política, e assim desejo, do que propriamente uma reforma. Não acredito nisso pela pessoa que é e por aquilo que o país pode aproveitar naquilo que ele pode dar", frisou Rogério Bacalhau. E embora "não valha a pena fazer futurologia", o autarca não tem dúvidas de que Macário Correia reúne condições, nomeadamente para vir a desempenhar o cargo de eurodeputado em Bruxelas nas eleições que terão lugar em 2014.

"Assim como eu não fazia ideia de estar nesta situação hoje e três meses antes das eleições autárquicas em 2009 também não fazia ideia de que me iria colocar neste projeto, não sei o que ele pode fazer. Sei é que ele terá muito que dar ao país, à Europa, com o conhecimento de mais de trinta anos de administração pública e desempenho de cargos políticos", concluiu Rogério Bacalhau.

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