Rui Rio: "Paulo Rangel não está preparado para ser primeiro-ministro"

Líder do PSD foi taxativo sobre rival interno e considerou um "completo absurdo" a realização de eleições diretas pouco tempo antes de eleições legislativas

Rui Rio considerou esta quarta-feira um "completo absurdo" a realização de eleições diretas pouco tempo antes de eleições legislativas. "Mobiliza o partido, mas é uns contra os outros. Se eu e Paulo Rangel nos atacarmos um ao outro e apontarmos os defeitos um do outro, António Costa vai aproveitar para utilizar esses argumentos em campanha. Procuro não expor o partido a guerras internas", explicou, na Grande Entrevista da RTP 3. "Tenho muitos anos disto", acrescentou.

O líder do PSD disse que é impossível conciliar a campanha interna do partido com a preparação para a campanha eleitoral das legislativas. "Os portugueses e militantes do PSD conhecem-me há muito tempo", justificou, sobre a ausência de um debate com Paulo Rangel.

"Fazer um programa eleitoral é de uma grande responsabilidade. Tenho de medir bem cada uma das medidas que quero propor, para ver se exequíveis. É impossível dar a volta ao país e falar com todos os militantes. Se não começar a preparar agora o marketing de campanha e os outdoors, só vou ter outdoors lá para 15 de janeiro", acrescentou.

Sobre o adversário interno, Rio foi taxativo: "Paulo Rangel não está preparado para ser primeiro-ministro. Não pode ser ministro quem não quer e também quem quer muito". "Sempre que alguém se propôs a eleições, a dois, três meses, perdeu", aditou, pouco depois.

Rui Rio puxou dos galões para dizer que, no seu mandato, o PSD manteve a Madeira, recuperou os Açores, viu o candidato que apoiou a ganhar as eleições presidenciais e conquistou a Câmara Municipal de Lisboa. Sobre as legislativas de 2019, diz que "estão muito lá para trás". Porém, considerou que o resultado foi "muito positivo", porque o país saiu da austeridade durante o primeiro mandato de António Costa.

O líder do PSD quer uma economia assente nas exportações e no crescimento das pequenas e médias empresas, as que "podem potenciar melhores salários", e não nos "elefantes brancos como a TAP".

"O que mais se degradou em Portugal foram os serviços públicos, em particular o SNS. Há uma total desorganização do SNS", atirou Rio, que quer baixar a carga fiscal sobre as empresas, nomeadamente IRC e IRS.

Cauteloso, o líder partidário diz que "a Europa pode estar à beira de uma situação complicada, com uma taxa de inflação elevada e possível aumento da taxa de juro".

Sobre o cenário pós-eleições, Rio garante que não vai colocar em primeiro lugar os interesses partidários, mas sim o interesse nacional. "O pior cenário é os primeiros partidos tomarem uma posição igual à que António Costa tomou em relação ao PSD. Se nós ganharmos, eu estou disponível para negociar à minha esquerda, com o PS, e à minha direita, com o CDS e a Iniciativa Liberal. Mas só com o CDS e a Iniciativa Liberal admito integrar ministros", explicou, excluindo o Chega e a possibilidade de um Bloco Central com ministros do PS e do PSD. "Se quisermos fazer reformas de fundo em Portugal, o PS e o PSD têm de se entender", acrescentou.

Sobre as críticas de alguns dos seus apoiantes a Marcelo Rebelo de Sousa por ter recebido Paulo Rangel em Belém, Rui Rio disse que o volume das críticas poderia ser ainda maior se não as tivesse contido, mas escusou-se a fazer mais comentários.

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