Rio quer cláusulas que protejam Aeroporto Sá Carneiro

O presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP) disse hoje que o "futuro dono da ANA terá de respeitar cláusulas que não permitem que o Aeroporto Sá Carneiro, no futuro, se atrase, por exemplo, relativamente ao de Lisboa".

Rui Rio referiu que tais cláusulas deverão ficar inscritas no "contrato de concessão que está a ser feito", ressalvando, porém, não ser razoável estabelecer cláusulas que obriguem que o Aeroporto Sá Carneiro cresça "10, 20 ou 30%", pois "isso é impossível".

Rio falava após intervir num debate do PS sobre o tema "Transportes e Mobilidade- "Presente e Futuro", que teve lugar esta tarde, no Porto.

O autarca portuense, que preside a uma coligação entre o PSD e o CDS, falou ali sobre os dossiês de mobilidade da JMP e, no final, referiu à comunicação social que participou "com todo o gosto" nesta iniciativa socialista.

"Acho que isto é saudável e é útil. Há anos que venho dizendo que ou os partidos se entendem todos em prol do país ou isto não tem possibilidades de correr bem", considerou.

Na sexta-feira, Rio reuniu-se em Lisboa com o Ministro da Economia e afirmou que lhe foi garantido que o futuro contrato de concessão da ANA vai ser analisado pela Junta Metropolitana do Porto antes de ser assinado com o vencedor ou publicado em DR.

No mesmo dia, à noite, o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, adiantou que as taxas do Aeroporto Sá Carneiro vão ficar congeladas durante "dez anos" após a privatização e as do aeroporto de Lisboa subirão 40 por cento no mesmo período.

O governante, que falava numa iniciativa do PSD-Porto, afirmou, também, que o Sá Carneiro beneficiará mais com a privatização em bloco da ANA do que com uma alienação separada, porque desse modo poderá continuar a beneficiar do que designou por "subsidiação cruzada".

O que a JMP quer é "que o aeroporto Sá Carneiro não seja prejudicado por uma outra prioridade, que possa ser uma maior expansão, por exemplo, de outros aeroportos", explicou Rui Rio.

"Queremos garantir que o nosso anda a frente ou pelo menos a par dos outros aeroportos. Mais do que isso também não se pode pedir", acrescentou.

Rio disse que "houve abertura" do Governo para acolher as salvaguardas reclamadas pela JMP. "Vamos agora a ver quando esse contrato de concessão estiver terminado se lá está incluído aquilo que nós vamos mandar no princípio da próxima semana ou se, não estando incluído isso, estão eventualmente incluídas ideia ainda melhores".

Rio recusou especificar quais são as cláusulas de salvaguarda do Aeroporto Sá Carneiro que a JMP quer ver contempladas no contrato de concessão da ANA - que "será assinado ainda este ano" -, insistindo que o objetivo é garantir que "o nível de investimento não pode ser todo num lado e nenhum no outro".

Questionado sobre se a "abertura" que o Governo demonstrou significa que o risco acabou, respondeu: "Não. Otimismo moderado, não é propriamente esfusiante, até porque estamos a negociar com a tutela direta, que é o Ministério da Economia e depois há um governo como um todo".

"O Ministério mostra-se tão preocupado quanto nós com o Aeroporto Sá Carneiro, percebendo que é uma estrutura decisiva para o desenvolvimento da região Norte e da Área Metropolitana do Porto, e eu disse lá, diversas vezes, que algo que é decisivo para o Norte tem de ser decisivo para o país", referiu.

Nessa linha, defendeu depois que "é obrigação de um Governo nacional acautelar interesse tão decisivo de uma região, porque sendo assim passa a ser um problema nacional".

"Estão reunidas condições para fazer bem", completou.

As cláusulas de salvaguarda que a JMP propõe vão ser enviadas ao Governo até terça-feira ao fim do dia ou na quarta-feira de manha", informou ainda Rui Rio.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG