Rio quer "aumento do prestígio dos políticos"

Rui Rio considera essencial "o reforço do poder" e "o aumento do prestígio dos políticos", porque, "quando um Governo é fraco, há poderes fácticos fortes".

Na sua conferência "Portugal: Crise económica ou política?", proferida hoje em Lisboa, o presidente da Câmara do Porto e antigo vice-presidente do PSD foi claro ao sustentar que, nas últimas décadas, "o poder político, ao dizer 'sim' [ao que lhe pedem os interesses setoriais, corporativos ou até individuais] quando devia dizer 'não' [em nome do interesse público], subiu a despesa pública para os atuais níveis gigantescos".

Rejeitando estar a fazer uma análise conjuntural, pois entende que tudo o que critica tem origem há décadas e que as ruturas a fazer pelos partidos não devem atender às eleições seguintes, o orador convidado pelo International Club of Portugal avisou que, caso não se inverta o rumo atual de falta de resposta aos problemas e de descrédito de todos os atores políticos, a consequência será, "não exatamente uma ditadura com um rosto, mas um poder político fraquíssimo, manietado por poderes que não têm rosto".

Entre as mudanças que preconiza para salvar o regime democrático, o social-democrata fala da necessidade dos partidos se abrirem à sociedade para atraírem os "mais capazes", de uma reforma da justiça "que vai mexer em interesses instalados há décadas" e de uma legislação mais apertada sobre a comunicação social ("ao dizer que todos os políticos são aldrabões, incompetentes e corruptos", está a cometer um "crime contra a democracia").

E, rejeitando sempre que se estivesse a pronunciar sobre a atualidade, Rui Rio admite que, "quando temos a despesa pública numa dimensão gigantesca, também temos a sociedade estruturada de forma errada". Reconhecendo que terá de se reduzir a despesa dos atuais quase 50% do PIB para o patamar dos 30%, sustentou que não se pode resolver o problema no imediato, pois isso coloca a economia e a sociedade numa situação de "ruína". No fundo, sugeriu, deve-se ir cortando "criteriosamente a despesa que tem menor efeito multiplicador" nas consequências sociais e económicas.

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