Remodelação "é uma vergonha para o PSD"

A proposta de remodelação governamental "é uma vergonha para o PSD" e revela que Pedro Passos Coelho "não foi capaz de liderar" o processo quando sabia há oito meses da vontade de Vítor Gaspar deixar o Executivo, afirmou este domingo José Sócrates.

"Não foi [Passos Coelho] que fez a remodelação, foi-lhe imposta" primeiro pelo CDS e depois pelo Presidente da República, afirmou o ex-chefe do Governo e agora comentador da RTP.

"Temos uma coligação invertida", onde "parece que o CDS manda mais que o PSD" e em que Passos Coelho parece ter delegado as competências "para conduzir a governação" nos centristas, observou José Sócrates.

O ex-líder do PS criticou a escolha de Maria Luís Albuquerque para ministra das Finanças, porque recebeu um "voto de desconfiança do vice-primeiro-ministro", Paulo Portas (caso a solução seja aceite pelo Presidente da República), porque "não tem dimensão e peso político" para o cargo e porque "está fragilizada" pelo caso dos contratos 'swap'.

Sócrates argumentou ainda que o Chefe do Estado deveria ter recusado empossar Maria Luís Albuquerque, pois fê-lo sem saber se haveria Governo face à demissão do ministro Paulo Portas, dado ser líder de um dos partidos da coligação.

Cavaco Silva "podia e devia ter adiado a posse" de Maria Luís Albuquerque, "mandando o Governo para casa para encontrar uma solução", o que permitia "evitar o enxovalho das instituições", disse José Sócrates.

Sobre Paulo Portas, Sócrates concluiu: "Quem sacrifica a consciência a uns nacos de poder sacrifica a dignidade e a credibilidade", a qual "está reduzida a zero" após ter declarado que a sua decisão era "irrevogável", por questões de "consciência" e por ser uma "dissimulação" manter-se no Governo.

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