Recuso visões etnocêntricas da Europa

Como todos os portugueses, sou europeu, pois a história de Portugal inseriu-se sempre nas dinâmicas mais amplas que afetaram o subcontinente. Olho a Europa como a parte ocidental do continente euro-asiático, que ganhou proeminência com a colonização de outros continentes e com a revolução industrial, e que hoje a está a perder num mundo globalizado marcado pela ascensão do Leste. Recuso visões etnocêntricas da Europa, que fariam dela o centro de uma civilização superior e que assentam numa leitura seletiva da sua história. Na Europa ocorreram factos e processos não só distintos, como antagónicos. A religiosidade cristã que aqui se desenvolveu contém princípios que me são caros, como os da igualdade. Não esqueço, todavia, que as identificações religiosas estiveram associadas a antagonismos violentos, que dividiram a Europa, e a exclusões profundas. Se me identifico com determinados legados - os das tradições emancipatórias, como a liberal-democrática e a socialista - rejeito outros, que também fazem parte da história europeia, como os totalitários ou racistas.Finalmente, acho inaceitável que a construção da União Europeia, com que me identifiquei, assente na perpetuação de desigualdades de poder no seu seio.

Esta personalidade faz parte de um vasto painel de oradores e moderadores que a 13 e 14 de setembro debaterá, numa conferência organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, o tema: "Portugal europeu - e agora?".

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